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25 de fevereiro de 2014

Ao longe

Ilustração de Silvano Braido
Quando ao longe me voltei

a minha casa 

era um ponto branco


Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 103

24 de fevereiro de 2014

Mesmo que faça frio...

Ilustração de Silvano Braido 


Mesmo que faça frio

não aproximes do fogo

um coração de neve



Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 89

22 de fevereiro de 2014

Azul para voar mais alto...


Paris à noite, de Vieira da Silva


Eu deixo aos meus amigos

Um azul cerúleo para voar alto.

Um azul cobalto para a felicidade.

Um azul ultramarino para estimular o espírito.

Vieira da Silva 

21 de fevereiro de 2014

Cântico negro

Ilustração de Luis Romero

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...


A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.



Ilustração de Huebucket

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...



Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...



Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.



Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...



Ilustração de Ford Smith


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...



Ilustração de Ford Smith


Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!



José Régio 

18 de fevereiro de 2014

Eva

Ilustração de Lee Misook


Quando Eva andava nua pelo paraíso,

disfarçava o tédio à sombra das árvores, colhendo 

as flores, cheirando o seu perfume,

e pensando como seria bom ter um céu

para espreitar.


Um dia, uma dessas flores transformou-se em

fruto; e Eva levou-o à boca, trincou-o, provou

a sua polpa. Por um estranho efeito

de causa e consequência, o sabor da maçã

obrigou Eva a cobrir a sua nudez

com folhas e flores, que passaram

a ser uma metáfora do corpo

que escondem.


Então, o pecado tornou-se uma simples

figura de retórica, e o sexo um exercício

de interpretação.


Nuno Júdice, in A Matéria do Poema, Dom Quixote,2008, 1ª ed., p. 42

17 de fevereiro de 2014

Para escrever o poema

Ilustração de Eszter Schall

O poeta quer escrever sobre um pássaro:

e o pássaro foge-lhe do verso.


O poeta quer escrever sobre a maçã:

e a maçã cai-lhe do ramo onde a pousou.


O poeta quer escrever sobre uma flor:

e a flor murcha no jarro da estrofe.


Ilustração de Emilie Vast


Então, o poeta faz uma gaiola de palavras

para o pássaro não fugir.


Então, o poeta chama pela serpente

para que ela convença Eva a morder a maçã.




Ilustração de Emilie Vast





Então, o poeta põe água na estrofe

para que a flor não murche.





Mas um pássaro não canta

quando o fecham na gaiola.



A serpente não sai da terra

porque Eva tem medo de serpentes.


E a água que devia manter viva a flor

escorre por entre os versos.


E quando o poeta pousou a caneta,

o pássaro começou a voar,

Eva correu por entre as macieiras

e todas as flores nasceram da terra.


Ilustração de Mary Alayne Thomas
Ilustração de Lucy Campbell
















O poeta voltou a pegar na caneta,

escreveu o que tinha visto,

e o poema ficou feito.


Nuno Júdice, in A Matéria do Poema, Dom Quixote,2008, 1ª ed., pp. 52-53

15 de fevereiro de 2014

Saudade da prosa

Poesia, saudade da prosa;
Ilustração de Michael Woloschinow
escrevia "tu", escrevia "rosa"
mas nada me pertencia,

nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava ou o que sabia.     

E se regressava
pelo mesmo caminho
não encontrava

senão palavras
e lugares vazios:
símbolos, metáforas,

o rio não era o rio
nem corria e a própria morte
era um problema de estilo.

Onde é que eu já lera
o que sentia, até a 
minha alheia melancolia?

Manuel António Pina, in Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal
Assírio & Alvim, 2012, 2ª ed., p. 58

14 de fevereiro de 2014

O meu desejo na primavera

Ilustração de Emilie Vast


O meu desejo na primavera:

que mesmo as flores selvagens

venham florir à minha porta


Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 95


13 de fevereiro de 2014

O essencial é invisível para os olhos


Ilustração de Ann Ernandez


- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - Vou contar-te o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...

- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.

Saint-Exupéry, in O Principezinho, Editora Caravela, 1987, 12ª ed., p. 74

12 de fevereiro de 2014

Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos

Ilustração de Carlotta Castelnovi

Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos;
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.


       Maria do Rosário Pedreira, in Poesia Reunida, Quetzal poesia, 2012, 1ª ed., p.97

10 de fevereiro de 2014

Tu és a esperança, a madrugada

Ilustração de Agnes Keszeg




Tu és a esperança, a madrugada.
Nasceste nas tardes de setembro,
quando a luz é perfeita e mais dourada,
e há uma fonte crescendo no silêncio
da boca mais sombria e mais fechada.

Para ti criei palavras sem sentido,
inventei brumas, lagos densos,
e deixei no ar braços suspensos
ao encontro da luz que anda contigo.

Tu és a esperança onde deponho
meus versos que não podem ser mais nada.
Esperança minha, onde meus olhos bebem,
fundo, como quem bebe a madrugada.

Eugénio de Andrade, in As mãos e os frutos

9 de fevereiro de 2014

Nada temas...

Ilustração de Mihai Criste

(...)

a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que 
adormeceres. Mas nada temas (...)


Maria do Rosário Pedreira, in Poesia Reunida, Quetzal poesia, 2012, 1ª ed., p.121

7 de fevereiro de 2014

Ser poeta


Ilustração de Lee Misook



Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!




Florbela Espanca, in Charneca em Flor

6 de fevereiro de 2014

Há palavras que nos beijam

Ilustração de Marina Anaya


Há palavras que nos beijam 
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill, in No Reino da Dinamarca

4 de fevereiro de 2014

Para atravessar contigo o deserto do mundo

Ilustração de Satoshi Ota


Para atravessar contigo o deserto do mundo 
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Livro Sexto

3 de fevereiro de 2014

Falar de poesia

Ilustração de Satoshi Ota



Antes de tudo, não falar. O poema tem todas as palavras necessárias para que não seja preciso dizer mais nada a partir dele.

(...)

Um poema, quando o é, diz tudo o que há para saber sobre si.

Nuno Júdice

2 de fevereiro de 2014

Anorexia da leitura?

Vieira da Silva


Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come.


Victor Hugo


31 de janeiro de 2014

Primeiro dia de primavera

Ilustração de Sun Haeng Heo



Primeiro dia de primavera:
que distante me parece
o inverno

Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 57

30 de janeiro de 2014

Nascer de novo

Ilustração de Su Blackwel


Não te sei descrever o que senti quando aprendi a ler e a escrever. Era como se tivesse nascido novamente e com poderes especiais.


 Dulce Maria Cardoso, "A biblioteca", in O prazer da leitura, ed. FNAC/Teodolito, 2011, p. 115

29 de janeiro de 2014

Há coisas que não se podem decidir...

Ilustração de Pau Anglada

Os livros salvaram-me. É a primeira vez que digo isto em voz alta. Um homem não pode deixar de envergonhar-se quando diz que não se matou por causa dos livros. Parece mais coisa de rapariga fraca dos nervos. E no entanto é a verdade. Há muito muito tempo, os livros salvaram-me. Se não quiseres acreditar, não acredites. Acreditar também é uma decisão. Há coisas que não se podem decidir. Ter sede, por exemplo. Ser salvo por livros.


                  Dulce Maria Cardoso, "A biblioteca", in O prazer da leitura, ed. FNAC/Teodolito, 2011, p. 105

28 de janeiro de 2014

Vidas lidas ou vividas?

Ilustração de Anna Burighel



As minhas ideias já estão um pouco confundidas mas não a este respeito. As vidas que li não foram menos minhas. Não há grande diferença entre o que se vive lendo e o que se vive vivendo. Milhares de vidas à nossa espera no silêncio dos livros. O silêncio dos livros não é igual ao nosso.


Dulce Maria Cardoso, "A biblioteca", in O prazer da leituraed. FNAC/Teodolito, 2011, pp. 106-107 


27 de janeiro de 2014

Biblioteca viva

Ilustração de Nikolaus Heidelbach

Esta biblioteca é a testemunha mais fidedigna do que sou. Encontrei-me aqui com tanta gente.

Dulce Maria Cardoso, "A biblioteca", in O prazer da leitura, ed. FNAC/Teodolito, 2011, p. 107 

26 de janeiro de 2014

São tristes as aves

Ilustração de Julia Icenogle

São tristes as aves que viajam na
memória do vento, tristes os olhos
que se demoram no gargalo de um
poço. E eu sou triste de não saber

que nome te pôs a morte quando
ontem te deitou na sua cama, e te
soprou nos cabelos o seu hálito frio,

e te embalou às escuras com uma
canção de vidro em que as aves se
enamoravam das próprias sombras

e, procurando-se em vão nas águas
turvas de um poço, não sabiam que
apenas mergulhavam lentamente, muito
lentamente, na memória do vento.


Maria do Rosário Pedreira, in Poesia Reunida, Quetzal poesia, 2012, 1ª ed., p. 207

25 de janeiro de 2014

Palavras no ar

São horas de voltar

Ilustração de Camiluna


São horas de voltar. Tu já não vens, e a espera

gastou a luz de mais um dia. Agora, quem passar

trará um corpo incerto dentro do nevoeiro,

mas terá outro nome e outro perfume. Eu volto



à casa onde contigo se demorou o verão e arrumo

os livros, escondo as cartas, viro os retratos

para a mesa. Sei que o tempo se magoou de nós,

sei que não voltas, e ouço dizer que as aves

partem sempre assim, subitamente. Outras virão



em março, apago as luzes do quarto, nunca as mesmas.




Maria do Rosário Pedreira, in Poesia Reunida, Quetzal poesia, 2012, 1ª ed., p. 75

24 de janeiro de 2014

Antes de um lugar há o seu nome

Ilustração de Olga Kvasha

Antes de um lugar há o seu nome. E ainda

a viagem até ele, que é um outro lugar

mais descontínuo e inominável.


Lembro-me


do quadriculado verde das colinas,

do sol entretido pelos telhados ao longe,

dos rebanhos empurrados nos carreiros,

de um cão pequeno que se atreveu à estrada.



Íamos ou vínhamos?





Maria do Rosário Pedreira, in Poesia Reunida, Quetzal poesia, 2012, 1ª ed., p. 35

23 de janeiro de 2014

Outra voz


Ilustração de Christian Asuh


Ela não pediu esse silêncio. Mas também nada fez

para defender-se dele ou dominá-lo. Quando entrou,

a casa tinha-se calado de repente, as coisas dele

tinham mudado de lugar, desaparecido, e não importava

que tivesse sido ela própria a escondê-las, de véspera,

na arca das lãs que só voltaria a abrir no inverno.


Ela não quis conhecer esse silêncio. Soube apenas

que não voltaria a ouvir a voz dele

no espelho do seu quarto ― a outra voz.


Ilustração de Andrei Zadorine
Sentou-se no chão e abriu um pequeno livro de capa azul.

Naquele fim de tarde, só mesmo os livros podiam dizer

algo mais que o silêncio ― essa outra voz.


  
Maria do Rosário Pedreira, in Poesia Reunida, Quetzal poesia, 2012, 1ª ed., p. 29 

21 de janeiro de 2014

Tardávamos diante das palavras

Ilustração de autor desconhecido


Tardávamos diante das palavras, como se os olhos

fossem cegar sobre as páginas que não acabávamos

de ler só para fazer durar o engano, o livro, o tempo

de todas as leituras. Guardávamos silêncio



à cabeceira. E cruzávamos de noite os dedos

à procura da luz que emanasse de um seio, da onda

do cabelo sobre a orelha, dos ombros, da cintura,

do começo dos lábios. Normalmente, achávamos apenas

a sombra da roupa na curva dos joelhos, a penumbra

entre os nossos corpos quietos e deitados.


Ilustração de Evangelina Prieto

É nas linhas das mãos que os deuses escrevem

os mais belos romances. Nas nossas, porém, somente

elaboraram um divertimento, um esboço, um rascunho,

nem sequer literatura.


Maria do Rosário Pedreira, in Poesia Reunida, Quetzal poesia, 2012, 1ª ed., p. 63

Acordai!



Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

José Gomes Ferreira (letra)
Fernando Lopes Graça (música)
Coro Ricercare

20 de janeiro de 2014

Noitadas

Ilustração de Lee Misook 

Os adolescentes, para terem êxito e se sentirem bem, precisam de uma vida organizada. As noitadas e os regressos de madrugada, com álcool e drogas, têm um risco sério de acidentes.
É estúpido morrer na estrada na flor da vida


Teresa Paiva, in Bom sono, boa vida, Oficina do Livro, 2008, 2ª ed. p. 214

19 de janeiro de 2014

Hábitos de sono

Ilustração de Muriel Kerba

Um bebé deve adquirir hábitos de sono desde que nasce.

Teresa Paiva, in Bom sono, boa vida, Oficina do Livro, 2008, 2ª ed. p. 192

18 de janeiro de 2014

Organizar o sono

Ilustração de Laimonas Smergelis

A criança deve ser ensinada desde que nasce a ter hábitos regulares de sono, mas a organização necessária varia com a idade. 



Teresa Paiva, in Bom sono, boa vida, Oficina do Livro, 2008, 2ª ed. p. 207


17 de janeiro de 2014

Dormir, para quê?

Ilustração de Viviana Garofoli

Há muito na vida para além do trabalho, e a privação voluntária de sono, com o tempo, torna-se caro. 

Teresa Paiva, in Bom sono, boa vida, Oficina do Livro, 2008, 2ª ed. p.75

14 de janeiro de 2014

Reciclagem verbal

Ilustração de Afonso Cruz


Comunicou-me a pessoa do 8A: Aproveito o lixo para fazer coisas novas, como candeeiros, canteiros, lavatórios e muito mais, que é assim que o universo faz as coisas. Por exemplo, com a palavra lama podemos fazer a palavra alma.
Parece magia, comuniquei eu. Mostre-me as suas mãos.

Afonso Cruz, in Assim mas sem ser assim - Considerações de um misantropo, Caminho, 2013, p. 16  

13 de janeiro de 2014

Do outro lado dos pés

Ilustração de Afonso Cruz


Não há melhor pôr-do-sol do que aquele que se vê do outro lado dos pés.

Afonso Cruz, in Assim mas sem ser assim - Considerações de um misantropo, Caminho, 2013, p. 18



12 de janeiro de 2014

As gaivotas

Ilustração de Alice Tams 


As gaivotas. Vão e vêm. Entram

pela pupila.

Devagar, também os barcos entram.

Por fim o mar.

Não tardará a fadiga da alma.

De tanto olhar, tanto

olhar.

Eugénio de Andrade, in Rente ao dizer

O olhar

Ilustração de Claude Theberge

Eu sentia seus olhos beber os meus;

longamente bebiam, bebiam;

bebiam

até não me restar nas órbitas nenhuma

luz, nenhuma água,

nem sequer o sinal de neles ter chovido

naquele inverno.

Eugénio de Andrade, in Rente ao Dizer

10 de janeiro de 2014

Humor de Mandela

Ilustração de Eric Comstock

Sabe, eu gosto que as pessoas estejam descontraídas pois, mesmo quando se está a discutir um assunto sério, a descontracção é muito importante porque nos encoraja a pensar; é por isso que gosto de dizer piadas, mesmo quando estou a examinar situações difíceis. Porque, quando as pessoas estão descontraídas, elas conseguem pensar como deve ser.


The Nelson Mandela Foundation in As palavras de Nelson MandelaObjectiva, 2012, 1ª ed., p. 199