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26 de março de 2015

Sacode as nuvens

Ilustração de Nina Chen

Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos, 
Sacode as aves que te levam o olhar. 
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras. 

Porque eu cheguei e é tempo de me veres, 
Mesmo que os meus gestos te trespassem 
De solidão e tu caias em poeira, 
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras 
E os teus olhos nunca mais possam olhar. 


Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética I

18 de dezembro de 2014

Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos


ILustração de Jan Kudláček

Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos, 
Sacode as aves que te levam o olhar,
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras. 


Porque eu cheguei e é tempo de me veres, 
Mesmo que os meus gestos te trespassem 
De solidão e tu caias em poeira, 
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras 
E os teus olhos nunca mais possam olhar. 


Sophia de Mello Breyner Andresen, in Coral, Obra Poética, Caminho, 2011, 2ª ed., p. 187 


26 de janeiro de 2014

São tristes as aves

Ilustração de Julia Icenogle

São tristes as aves que viajam na
memória do vento, tristes os olhos
que se demoram no gargalo de um
poço. E eu sou triste de não saber

que nome te pôs a morte quando
ontem te deitou na sua cama, e te
soprou nos cabelos o seu hálito frio,

e te embalou às escuras com uma
canção de vidro em que as aves se
enamoravam das próprias sombras

e, procurando-se em vão nas águas
turvas de um poço, não sabiam que
apenas mergulhavam lentamente, muito
lentamente, na memória do vento.


Maria do Rosário Pedreira, in Poesia Reunida, Quetzal poesia, 2012, 1ª ed., p. 207

25 de janeiro de 2014

São horas de voltar

Ilustração de Camiluna


São horas de voltar. Tu já não vens, e a espera

gastou a luz de mais um dia. Agora, quem passar

trará um corpo incerto dentro do nevoeiro,

mas terá outro nome e outro perfume. Eu volto



à casa onde contigo se demorou o verão e arrumo

os livros, escondo as cartas, viro os retratos

para a mesa. Sei que o tempo se magoou de nós,

sei que não voltas, e ouço dizer que as aves

partem sempre assim, subitamente. Outras virão



em março, apago as luzes do quarto, nunca as mesmas.




Maria do Rosário Pedreira, in Poesia Reunida, Quetzal poesia, 2012, 1ª ed., p. 75

13 de janeiro de 2013

Esperança sobre o voo humano



O livro é de grande beleza. As ilustrações a preto e branco são dos mesmos autores do texto, que traduz uma mensagem de esperança sobre o voo humano.


"Um dia, as aves pousaram o seu olhar para lá dos ramos e das folhas, e imaginaram uma vida diferente. Começou assim uma nova era."



 "Felizmente, em algum lugar, há ainda quem deseje estender as asas e aprender a voar."





Aves, dos autores e ilustradores mexicanos María Julia Díaz Garrido e David Daniel Álvarez Hernández, editado pela Kalandraka, foi o livro vencedor do V Prémio Internacional Compostela para álbuns ilustrados.

Ilustrações de María Julia Díaz Garrido e David Daniel Álvarez Hernández

6 de dezembro de 2012

Nos teus dedos nasceram horizontes

Ilustração de Tirabosco

Nos teus dedos nasceram horizontes

e aves verdes vieram desvairadas

beber neles julgando serem fontes.



Eugénio de Andrade, in As mãos e os frutos