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24 de novembro de 2012

Vazio

...as drogas...conferem a momentânea segurança de estar a salvo, redimido e feliz. Trata-se de uma ficção, não benigna, antes maligna neste caso, que isola o indivíduo e que só na aparência o liberta de problemas, responsabilidades e angústias. Porque no fim tudo voltará a aprisioná-lo, exigindo-lhe cada vez maiores doses de aturdimento e sobre-excitação que aprofundarão o seu vazio espiritual.

Ilustração de Giedra Purlytė-Mažrimienė
Na civilização do espetáculo, o laicismo ganhou terreno sobre as religiões, aparentemente.

Só pequenas minorias se emancipam da religião substituindo com a cultura o vazio que ela deixa nas suas vidas: a filosofia, a ciência, a literatura e as artes. Mas a cultura que pode cumprir esta função é a alta cultura...
 
Mario Vargas Llosa, in A Civilização do Espetáculo,Quetzal, p. 39 

Frivolidade

O político dos nossos dias, se quer conservar a sua popularidade, é obrigado a dar uma atenção primordial ao gesto e à forma, que importam mais do que os seus valores, convicções e princípios.


Ilustração de Leticia Zamora Méndez

A frivolidade consiste em ter uma tabela de valores invertida ou desequilibrada em que a forma importa mais que o conteúdo, a aparência mais do que a essência e na qual o gesto e desplante - a representação - fazem as vezes de sentimentos e ideias.

Mario Vargas Llosa, in A Civilização do Espetáculo, Quetzal, pp. 47-48