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26 de março de 2012

Madrigal

Klimt, O Beijo






Tu tinhas um nome, e eu não sei
se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.
Nos meus versos chamar-te-ei amor.

Eugénio de Andrade

Foi para ti que criei as rosas

Ilustração de Karla Gudeon
Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
E dei às romãs a cor do lume.


Foi para ti que pus no céu a lua
e o verde mais verde dos pinhais.
Foi para ti que deitei no chão
Um corpo aberto como os animais.


Eugénio de Andrade in As mãos e os frutos

A Figueira

Ilustração de Eugenia Gapchinska
Não tenho mãos para o azul.
Sonho com o mar
que não está longe mas não vejo
arder.
Só a sombra parece estar em casa
debaixo dos meus ramos:
canta baixinho enquanto se descalça.

Eugénio de Andrade, in Com o sol em cada sílaba