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14 de julho de 2013

Até ao fim

Ilustração de Iraville Deviantart


Mas é assim o poema: construído devagar,
palavra a palavra, e mesmo verso a verso,
até ao fim. O que não sei é
como acabá-lo; ou, até, se
o poema quer acabar. Então, peço-te ajuda:
puxo o teu corpo
para o meio dele, deito-o na cama
da estrofe, dispo-o de frases
e de adjectivos até te ver,
tu,
o mais nu dos pronomes. Ficamos
assim. Para trás, palavras e versos,
e tudo o que
não é preciso dizer:
eu e tu, chamando o amor
para que o poema acabe.



Nuno Júdice, in Pedro lembrando Inês, D. Quixote, 2001, p. 25


Eterno e efémero


Ilustração de Maria Wernicke



Tudo morre, mesmo o eterno. O que dizer do efémero?



Eduardo Lourenço, "Prefácio à edição portuguesa" in 

Christiane Zschirnt, Livros - Tudo o que é preciso ler, Casa das Letras