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19 de março de 2015

Só me satisfaz o infinito (2)

Ilustração de Aaron  Ayumi Piland


Só me satisfaz o infinito.

É um número muito grande, não é?

É, mas consegue-se domesticá-lo e fazer com que caiba numa só noite. Uma noite bem passada nunca mais acaba.


Afonso Cruz, in Assim mas sem ser assim - Considerações de um misantropo, Caminho, 2013, p. 22

17 de março de 2015

Só me satisfaz o infinito (1)


Subi as escadas com a pessoa do 3A, bailarino. Costuma andar com roupas brancas ou de outra cor qualquer e com cabelos compridos, mas mais curtos do que as suas certezas. Comunicou-me que gosta muito da natureza, de andar descalço (eu comuniquei-lhe que já sabia), e de dormir ao relento, debaixo das estrelas.

Ilustração de Aaron Ayumi Piland 

É o meu cobertor favorito. Um hotel de cinco estrelas é pouco para mim, preciso de um com muitas mais estrelas.
Cinco não chegam?
Só me satisfaz o infinito.


Afonso Cruz, in Assim mas sem ser assim - Considerações de um misantropo, Caminho, 2013, p. 22

14 de janeiro de 2014

Reciclagem verbal

Ilustração de Afonso Cruz


Comunicou-me a pessoa do 8A: Aproveito o lixo para fazer coisas novas, como candeeiros, canteiros, lavatórios e muito mais, que é assim que o universo faz as coisas. Por exemplo, com a palavra lama podemos fazer a palavra alma.
Parece magia, comuniquei eu. Mostre-me as suas mãos.

Afonso Cruz, in Assim mas sem ser assim - Considerações de um misantropo, Caminho, 2013, p. 16  

13 de janeiro de 2014

Do outro lado dos pés

Ilustração de Afonso Cruz


Não há melhor pôr-do-sol do que aquele que se vê do outro lado dos pés.

Afonso Cruz, in Assim mas sem ser assim - Considerações de um misantropo, Caminho, 2013, p. 18