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10 de maio de 2015

Muitas vezes Deus prefere


Ilustração de Aurélie Blanz


Muitas vezes Deus prefere

entrar em nossa casa

quando não estamos



Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 40

21 de março de 2014

A primavera a zumbir

Ilustração de Lee Misook


A primavera a zumbir

com os seus olhos azuis de papoila:

novas e belas vestes de Deus 


Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 94

19 de março de 2014

Tudo é efémero

Ilustração de Ulrike Baier


Tudo é efémero:

ontem escutava a tua voz

hoje só o vento



Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, 

Assírio&Alvim, 2013, p. 142

28 de fevereiro de 2014

Há uma luz

Ilustração de Silvano Braido

Há uma luz

sobre as luzes

onde o olhar escapa a todas as luzes


Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 110

27 de fevereiro de 2014

Estás sempre à minha frente

Ilustração de Dilka Bear

Estás sempre à minha frente   

quando penso que não

quando penso que sim


Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 93

26 de fevereiro de 2014

Vazio

Ilustração de Victoria Kirdy


Quando se extinguiu

o vermelho da papoila

o jardim ficou vazio


Tolentino Mendonça, in 

A papoila e o monge, 

Assírio&Alvim, 2013, p. 105



25 de fevereiro de 2014

Ao longe

Ilustração de Silvano Braido
Quando ao longe me voltei

a minha casa 

era um ponto branco


Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 103

24 de fevereiro de 2014

Mesmo que faça frio...

Ilustração de Silvano Braido 


Mesmo que faça frio

não aproximes do fogo

um coração de neve



Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 89

14 de fevereiro de 2014

O meu desejo na primavera

Ilustração de Emilie Vast


O meu desejo na primavera:

que mesmo as flores selvagens

venham florir à minha porta


Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 95


31 de janeiro de 2014

Primeiro dia de primavera

Ilustração de Sun Haeng Heo



Primeiro dia de primavera:
que distante me parece
o inverno

Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 57

7 de dezembro de 2013

Partida e chegada das estações

Ilustrração de Noumeda Carbone


Em silêncio o rochedo

vê chegar e partir


as estações



Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 29

24 de novembro de 2013

O elogio da confiança (1)

Ilustração de Laimonas Šmergelis



Por pátios e jardins silenciosos
se chega ao lugar
da contemplação


Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 55

20 de novembro de 2013

Silêncio e intimidade

Ilustração de Luis Romero


O que por palavras nos está oculto
no silêncio crepita
em intimidade

Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 20

19 de novembro de 2013

Silêncio

Ilustração de Luis Romero


Silêncio:
na ravina inacessível
o prado em flor



Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 37

18 de novembro de 2013

Silêncio vazio

Ilustração de Luis Romero



O silêncio só raramente é vazio
diz alguma coisa
diz o que não é

Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 15

17 de novembro de 2013

Dança no universo

Ilustração de Marie Cardouat

















Estas folhas que estremecem na tarde
não sabem que dançam
à roda do universo


Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 159


16 de novembro de 2013

Nuvens

Ilustração de Vladimir Olenberg


No ramo do marmeleiro

descubro nuvens

que não havia visto



Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 112

13 de novembro de 2013

Nas mãos do oleiro

Ilustração de Cecelia Webber

Nas mãos do oleiro
o universo descobre-se
inacabado



Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 53

11 de novembro de 2013

Tornar-se poema

Ilustração de Marie Cardouat
Agora só resta
tornares-te
o poema


Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 173


10 de novembro de 2013

O valor da migalha

Ilustração de Sonja Dimovska


A papoila e o monge, de José Tolentino Mendonça, é um livro de rara beleza poética e intrinsecamente espiritual. 
Um elogio à confiança, à abertura do olhar interior, à profundidade, à pobreza contemplativa, do não saber, da ignorância que despoja, abre horizontes e alarga a esperança. 
Um convite à valorização do ínfimo, da migalha, do único, do quotidiano que nos assiste. 
Um desafio à descoberta da manifestação divina na revelação e no furtivo; no rumor e no silêncio; no tudo e no nada.

Mª Carla Crespo