Número total de visualizações de páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta vida. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta vida. Mostrar todas as mensagens

16 de abril de 2020

A intensidade da vida


Ilustração de Jimmy Liao

...o tempo (...) longo ou breve, isso não tem importância porque a vida se mede pela intensidade com que é vivida...

Luís Sepúlveda, in História de um gato e de um rato que se tornaram amigos

11 de abril de 2020

Silêncio

A última frase proferida por Thomas Merton, neste mundo, segundo o testemunho do Pe. F. de Grunne, que falou com ele em Banguecoque, imediatamente antes da sua trágica morte, foi a seguinte:

Ilustração de Lucio López Cansuet -Kansuet

" Aquilo que devemos fazer hoje, não é tanto falar de Cristo, mas deixar que Ele viva em nós, de tal modo que as pessoas possam encontrá-lo ao sentir como vive em nós". 


Tomás Halík, Paciência com Deus - Oportunidade para um Encontro, 
Paulinas Editora, 2012, 2ª ed., pp. 56-57 

1 de abril de 2016

Nunca são as coisas mais simples que aparecem


il. Diane Duda

Nunca são as coisas mais simples que aparecem
quando as esperamos. O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida. Porém, se
nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos
nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras. Nada do que se espera
transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora
no teu ombro, forçando uma aproximação
dos lábios.
                                                             Nuno Júdice

12 de janeiro de 2016

A porta do sonho


 
Ilustração de Claire Mojher
 

Quando queremos sonhar, aqueles de quem gostamos são a porta que se abre para o território da vida a transformar-se.

José Jorge Letria, in A vida segundo Goya, Guerra e Paz, 2015, p. 17

10 de agosto de 2015

Os meus livros não são livros



Ilustração de Noemí Villamuza



Os meus livros não são livros, mas folhas separadas e caídas por acaso nas estradas da minha vida.

 Chateaubriant

21 de maio de 2015

Os melhores momentos da vida

Ilustração de Luís Alves


Os melhores momentos da vida são aqueles em que o indivíduo compreende a sua situação na vida; esse sentimento pode intensificar-se até ao mágico, e isso sem nada que seja egoísta, sem qualquer ambição. 


Hugo von Hofmannsthal, in Livro dos amigos, Assírio&Alvim, 2002, p. 72

26 de março de 2015

As minhas mãos

Ilustração de Duy Huynh

As minhas mãos mantêm as estrelas,
Seguro a minha alma para que se não quebre
A melodia que vai de flor em flor,
Arranco o mar do mar e ponho-o em mim
E o bater do meu coração sustenta o ritmo das coisas.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra poética I

A procura

Ilustração de Belinda Worsley

...uma vida só assente em respostas é uma vida diminuída, à maneira de uma primavera que não chegou a ser.


Tolentino Mendonça, in Nenhum caminho será longo, Para uma teologia da amizade, Paulinas, 2012, p. 136

28 de fevereiro de 2015

É assim a música

Ilustração de Liese Chavez

A música é assim: pergunta, 
insiste na demorada interrogação
- sobre o amor?, o mundo?, a vida?
Não sabemos, e nunca
nunca o saberemos.
Como se nada dissesse vai
afinal dizendo tudo.
Assim: fluindo, ardendo até ser
fulguração – por fim
o branco silêncio do deserto.
Antes porém, como sílaba trémula,
volta a romper, ferir,
acariciar a mais longínqua das estrelas.

Eugénio de Andrade
 


29 de janeiro de 2015

Vida

Ilustração de Bobby Chiu

A coisa mais difícil de navegar é a vida.
Não é o mar.

(Malgorzata Zajac)


Afonso Cruz, in Enciclopédia da Estória Universal - Mar, Alfaguara, 2014, 1ª ed., p. 177

3 de dezembro de 2014

A vida é o que permanece

Ilustração de Chris Van Allsburg

Há um trabalho a fazer para passar do apego narcisista a uma idealização da vida, à hospitalidade da vida como ela nos assoma, sem mentira e sem ilusão, o que requer de nós um amor muito mais rico e difícil. Esse que é, em grande medida, um trabalho de luto, um caminho de depuração, sem renunciar à complexidade da própria existência, mas aceitando que não se pode demonstrá-la inteiramente.



Ilustração de Mika Nitta


A vida é o que permanece, apesar de tudo: a vida embaciada, minúscula, imprecisa e preciosa como nenhuma outra coisa. A sabedoria é a vida mesma: o real do viver, a existência não como trégua, mas como pacto, conhecido e aceite na sua fascinante e dolorosa totalidade.

                                             Tolentino Mendonça, in A mística do instante – O tempo e a promessa, Paulinas, 2014, col. Poéticas do viver crente , pp. 112-113

21 de abril de 2014

A vida e a escrita

Ilustração de Laimonas Smergelis




A vida não nos chama de uma maneira só, chama-nos com vozes diferentes que são no fundo a única voz. A escrita é uma espécie de ponte, funciona como uma espécie de resíduo, um lugar, por onde tudo passa e algumas coisas ficam.


Tolentino Mendonça, in "Estante", Fnac, nº 1, primavera 2014, p. 20

19 de abril de 2014

Jardim perdido

Ilustração de Laimonas Smergelis

Jardim em flor, jardim da impossessão, 
Transbordante de imagens mas informe, 

Em ti se dissolveu o mundo enorme, 
Carregado de amor e solidão. 

A verdura das árvores ardia, 
O vermelho das rosas transbordava, 
Alucinado cada ser subia 
Num tumulto em que tudo germinava. 

A luz trazia em si a agitação 
De paraísos, deuses e de infernos, 
E os instantes em ti eram eternos 
De possibilidade e suspensão.


Mas cada gesto em ti se quebrou, denso 
Dum gesto mais profundo em si contido, 
Pois trazias em ti sempre suspenso 
Outro jardim possível e perdido.



Sophia de Mello Breyner Andresen,  "Poesia II" in Obra Poética, Caminho, 2011, 2ª ed., p. 45

26 de março de 2014

Primaverar


Misturado com aquilo que escolhemos, chega-nos o que não escolhemos e que temos, na mesma, de viver, transformando-o em oportunidade e desafio para a confiança. A primavera não tem uma linha demarcada: transborda sempre e temos de preparar-nos para isso. Ela não fica a alegrar apenas os canteiros muito bem ordenados. A sua floração inédita dá-nos o endereço da torrente, para lá da vida que pensamos domesticada pelos nossos cálculos.




Pobres de nós: achamos que conseguimos dominar completamente o mundo com os nossos cinco sentidos! Precisaríamos na verdade, de cinco mil para perceber um pequeno quinhão do que somos. 

Fotos de autor desconhecido

Há quanto tempo não caminhamos assobiando, ou não seguimos com um fio de erva nos lábios, sem mais, sem pressas nem pretensões, acreditando simplesmente no valor de ser e que, por isso, nos dão a possibilidade de estar, de vaguear, de medir o momento apenas com o peso e a leveza da própria marcha?


José Tolentino Mendonça, in Revista Expresso, 22.3.2014

Meio da vida


Ilustração de Becky Kelly


Porque as manhãs são rápidas e o seu sol quebrado
Porque o meio-dia
Em seu despido fulgor rodeia a terra

A casa compõe uma por uma as suas sombras
A casa prepara a tarde
Frutos e canções se multiplicam
Nua e aguda
A doçura da vida



Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto, in Obra Poética, Caminho, 2011, 2ª ed., p.408

28 de fevereiro de 2014

Há uma luz

Ilustração de Silvano Braido

Há uma luz

sobre as luzes

onde o olhar escapa a todas as luzes


Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim, 2013, p. 110

1 de dezembro de 2013

Não deixes o cansaço instalar-se

Ilustração de Alice Tams

Não deixes o cansaço instalar-se 
Em vez disso
Silenciosamente
Como a um pássaro
Estende a mão ao milagre.


Hilde Domin  (1912 – 2006)

16 de outubro de 2013

Da biblioteca para a vida

Ilustração de Olimpia Zagnoli

Como eu gostaria de sair da minha Biblioteca, mas, para isso, teria que sair de mim, porque eu próprio sou a Biblioteca. Como ela, não estou vivo nem estou morto, estou fechado dentro de mim como num labirinto ou como se fosse um livro antigo escrito numa língua desconhecida, que ninguém, nem mesmo a Morte é capaz de ler.


Manuel António Pina, in História do sábio fechado na sua biblioteca, Assírio & Alvim, 2009, p. 25

26 de setembro de 2013

Artista

Ilustração de Vladimir Kryloff

Apenas um artista é capaz de adivinhar o sentido da vida.


in Fragmentos de Novalis (seleção, tradução e desenhos de Rui Chafes), 

Assírio & Alvim, 2000, 2ª ed., p. 49