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20 de março de 2020

Matemática, filosofia e arte

Ilustração de Sandrine Kao

As matemáticas têm um triplo objectivo. Devem fornecer-nos um instrumento para o estudo da natureza. Mas não é tudo. Têm um objectivo filosófico e, permito-me dizê-lo, um objectivo estético. Devem ajudar o filósofo a aprofundar as noções de número, de espaço, de tempo. E os seus adeptos, sobretudo, encontram nelas um prazer análogo àquele que nos dão a pintura e a música.


Henri Pointcaré (cientista francês)


apud Nuccio Ordine, A utilidade do inútil - Manifesto
ed. Ágora, 2018, 2ª reimp., p. 122 

28 de fevereiro de 2015

É assim a música

Ilustração de Liese Chavez

A música é assim: pergunta, 
insiste na demorada interrogação
- sobre o amor?, o mundo?, a vida?
Não sabemos, e nunca
nunca o saberemos.
Como se nada dissesse vai
afinal dizendo tudo.
Assim: fluindo, ardendo até ser
fulguração – por fim
o branco silêncio do deserto.
Antes porém, como sílaba trémula,
volta a romper, ferir,
acariciar a mais longínqua das estrelas.

Eugénio de Andrade
 


22 de janeiro de 2015

Dança...

Ilustração de Yao Xiong -Y. Nana


Não era difícil acreditar em contos de fadas. Cathy estava habituada a um palco, desde os cinco anos que estudava Dança, e o palco agora era uma velha casa, um longo jardim, um lago de águas imóveis. Antes de ela aparecer no filme, via-se o seu reflexo na água. E quase no final dançava sozinha no pavilhão junto ao lago, ao som da melodia da caixa de música, Oh, Willow Waly.



Ana Teresa Pereira, "If I should wake before I die", in As velas da noite, Relógio d'Água, 2014, p. 43

22 de agosto de 2014

Veneza

Ilustração de Sernur Isik



Que música serias

se não fosses água?




Eugénio de Andrade, in Escrita da terra


Ilustração de Pascal Campion

2 de julho de 2014

Harpa

Ilustração de Aimee Sicuro

A juventude impetuosa do mar invade o quarto
A musa poisa no espaço vazio à contraluz
As cordas transparentes da harpa

E no espaço vazio dedilha as cordas ressoantes


Sophia de Mello Breyner Andresen, O Búzio de Cós e outros poemas 

in Obra Poética, Caminho, 2011, 2ª ed., p. 823

4 de julho de 2013

Teclas de poesia

Ilustração de Akira Kusaka

O poeta utiliza as coisas e as palavras como teclas e toda a poesia repousa sobre uma activa associação de ideias - uma espontânea, deliberada e ideal produção do acaso.

in Fragmentos de Novalis (seleção, tradução e desenhos de Rui Chafes), Assírio & Alvim, 2000, 2ªed., p.111

31 de maio de 2013

As músicas do verso

Ilustração de Eva Vázquez

ele que tinha ouvido absoluto para as músicas sumptuosas     
                                                                         do verso livre  
ouvia a cada nó de sílaba
um silêncio de morte

Herberto Helder, in Servidões, Assírio & Alvim

29 de maio de 2013

nada pode ser mais complexo que um poema

Ilustração de Marten Tonnis

nada pode ser mais complexo que um poema,
organismo superlativo absoluto vivo,
apenas com palavras,
apenas com palavras despropositadas,
movimentos milagrosos de míseras vogais e consoantes,
nada mais que isso,
música,
e o silêncio por ela fora


Herberto Helder (2013), in Servidões, Assírio & Alvim, p. 62

31 de janeiro de 2013

8 de dezembro de 2012

A linha musical do encantamento



Ilustração de Gaëlle Boissonnard
Nem um momento só podes perder
A linha musical do encantamento   


Sophia, in O Búzio de Cós e outros poemas    

11 de julho de 2012

Salzburgo

Ilustração de Salome Starbuck


Essa música ou água
quando a água é álamo

essa música ou terra
quando a terra é barco

essa música ou chama
quando a chama é onda

essa música - eras tu
ou um pássaro na sombra?


Eugénio de Andrade, in Escrita da Terra