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18 de junho de 2015

Não ler

Ilustração de Yuri Kuznetsov

Não ler, pensei, era como fechar os olhos, fechar os ouvidos, perder sentidos.

Valter Hugo Mãe, in A desumanização

30 de junho de 2014

...se leio?

Ilustração de 孟楠楠


Que mais quero ver, 

se leio?


Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 161

27 de junho de 2014

Desejo ler horas a fio

Jodoigne, 3 de Março de 1976.


Ilustração de Amber Alexander

Desejo ler horas a fio (o que também consta do ideograma), ler horas e horas sem me levantar. Rodeada de livros, basta estender a mão ou, mais simplesmente ainda, baixar os olhos. Leio algumas páginas e sinto que o que leio me atinge de maneira tão directa e íntima que está naquele momento sendo escrito, e me constrange a devolver-lhe uma resposta; o quarto fica cheio de leitura e da escrita que decorreu; pergunto então a mim mesma, vendo gnomos a transportar pauzinhos e folhas (...) se a escrita tem passado.

                                                      Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, pp. 121-122


25 de junho de 2014

O livro como memória


Jodoigne, 20 de Abril de 1975.

Ilustração de Leonard Tsuguharu Foujita

O livro não é, para mim, o objecto rápido de uma leitura: dissimula um mútuo: uma época e alguém. «J'écris pour prendre la parole au nom de mes ancêtres qui se sont tus». __________ Liliane Wouters. 

Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 45

22 de junho de 2014

Salvo pelas histórias

Ilustração de Arnold Lobel



O rato tinha corrido muito
para chegar são e salvo a sua casa.

Acendeu a luz,
jantou
e acabou de ler o seu livro.


Arnold Lobel, 
 in Sopa de Rato, ed. Kaladranka, 2013, col. Livros para sonhar, pp. 62-64

21 de junho de 2014

Sopa com histórias



Um rato estava sentado 
debaixo de uma árvore a ler um livro.

De repente,
uma doninha saltou-lhe em cima
e apanhou-o.

A doninha levou o rato
para casa dela.

- Ah, vou fazer
sopa de rato!
- disse a doninha. 







- Oh, vou tornar-me
sopa de rato!
- disse o rato. 

A doninha pôs o rato numa panela. 



- ESPERA!
- disse o rato. - Esta sopa
não vai saber a nada.
Não tem histórias.
A sopa de rato
tem que levar histórias 
para ficar boa.


Arnold Lobel (texto e ilustrações), in Sopa de Rato, ed. Kaladranka, 2013, col. Livros para sonhar, pp. 8-10

19 de junho de 2014

Sonho...




Sonho por vezes que, quando o dia do juízo chegar e os grandes conquistadores, advogados e estadistas vierem receber as suas recompensas – coroas, louros, nomes gravados indelevelmente em mármore imperecível -, o Todo-Poderoso se voltará para S. Pedro e dirá, não sem uma certa inveja, quando nos vir chegar com os nossos livros debaixo dos braços:

—Olhai, estes não precisam de recompensa. Nada temos para lhes dar. Eles amaram a leitura.



Virginia Woolf
Ilustrações de Julianna Swaney








26 de maio de 2014

Viagem longa

Ilustração de Yusuke Yonezu


Como gostava de ler e ia para uma viagem longa o senhor Juarroz decidiu pôr na mala seis exemplares do mesmo livro.



Gonçalo M. Tavares, in O Senhor Juarroz, Caminho, 2004, p. 23

2 de fevereiro de 2014

Anorexia da leitura?

Vieira da Silva


Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come.


Victor Hugo


29 de janeiro de 2014

Há coisas que não se podem decidir...

Ilustração de Pau Anglada

Os livros salvaram-me. É a primeira vez que digo isto em voz alta. Um homem não pode deixar de envergonhar-se quando diz que não se matou por causa dos livros. Parece mais coisa de rapariga fraca dos nervos. E no entanto é a verdade. Há muito muito tempo, os livros salvaram-me. Se não quiseres acreditar, não acredites. Acreditar também é uma decisão. Há coisas que não se podem decidir. Ter sede, por exemplo. Ser salvo por livros.


                  Dulce Maria Cardoso, "A biblioteca", in O prazer da leitura, ed. FNAC/Teodolito, 2011, p. 105

28 de janeiro de 2014

Vidas lidas ou vividas?

Ilustração de Anna Burighel



As minhas ideias já estão um pouco confundidas mas não a este respeito. As vidas que li não foram menos minhas. Não há grande diferença entre o que se vive lendo e o que se vive vivendo. Milhares de vidas à nossa espera no silêncio dos livros. O silêncio dos livros não é igual ao nosso.


Dulce Maria Cardoso, "A biblioteca", in O prazer da leitura, ed. FNAC/Teodolito, 2011, pp. 106-107 


27 de setembro de 2013

Compreender um escritor


Ilustração de Deborah Dewit 


Só mostro que compreendi um escritor quando puder actuar dentro do seu espírito, quando o conseguir traduzir e alterar de diversas maneiras, sem reduzir a sua individualidade.


in Fragmentos de Novalis (seleção, tradução e desenhos de Rui Chafes), 

Assírio & Alvim, 2000, 2ª ed., p. 31

18 de setembro de 2013

O velho que lia romances de amor (2)


Ilustração de André Letria

O velho recebeu os livros, examinou as capas e declarou que gostava. 


Luis Sepúlveda, in O velho que lia romances de amor, Asa, 2000, 17ª ed., p. 26

13 de julho de 2013

Biblioteca ideal

Ilustração de Aris

Todos sonhamos com uma espécie de "biblioteca ideal", onde as criações mais altas e ainda vivas da cultura humana nos sejam acessíveis.


Eduardo Lourenço, "Prefácio à edição portuguesa" in 
Christiane Zschirnt, Livros - Tudo o que é preciso ler, Casa das Letras

9 de abril de 2013

Ler é bom!


Ilustrações de
Nathalie Jomard

...ter os pés soerguidos é a primeira condição para desfrutar da leitura.


Italo Calvino, in Se numa noite de Inverno um viajante

9 de fevereiro de 2013

Apenas assim...

Ilustração de Victor Nizovtsev 

A leitura promove-se lendo. Apenas assim.

Rodolfo Castro, in A intuição leitora, a intenção narrativa, Gatafunho


8 de fevereiro de 2013

Ilusão sonora

Ilustrações de Victor Nizovtsev 


















...a leitura em voz alta exige um acto de criação: uma ilusão sonora que possa ser vista. Não se lê em voz alta para se ser escutado, lemos em voz alta para que os que nos escutam vejam o som, nele se abriguem, o habitem.


A leitura em voz alta não se pode limitar a atribuir às palavras um som qualquer. Há que dar-lhes o som que lhes corresponde, o som com que essas palavras querem ser ditas.

Rodolfo Castro, in A intuição leitora, a intenção narrativa, Gatafunho

12 de janeiro de 2013

O tempo do inútil



O tempo de ler associa-se ao tempo de lazer mas também ao não tempo, que é o tempo de Deus. O tempo do inútil, do “desútil”, como refere o poeta brasileiro Manoel de Barros, ou seja, de um tempo mais para ser do que para fazer, um tempo por vezes difícil de encontrar e de nos concedermos mas que, quando no-lo concedemos, nos amplia o olhar e o coração, cava o silêncio que germina em nós e nos purifica. Ler é, pois, também ler-nos, ler a nossa própria história, quer por identificação quer por contraste com personagens, vivências, locais, cores, culturas, aromas, civilizações, hábitos e costumes. O tempo e o espaço transportam-nos para outros lugares e para lugar nenhum, para a utopia, o sonho, a irrealidade, um espaço de liberdade e de imaginação, espaço de narrativas que nos oferecem um tempo gratuito, de fruição ou de aprendizagem. De encontro ou de ilusão. De simpatia ou de transporte para outras realidades diferentes das do quotidiano.

Ilustrações de Glenda Sburelin

Os livros são ponte para a “teologia da inutilidade”, de que nos fala Tolentino Mendonça, para o lugar da estética, da poesia, da reflexão, do sem porquê, como a rosa ou o brinquedo.,

Maria Carla Crespo