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| Ilustração de Kestutis Kasparavicius |
Um blogue que se alimenta de e com ilustrações e palavras, sobretudo textos literários.
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12 de agosto de 2015
18 de junho de 2015
Não ler
30 de junho de 2014
...se leio?
27 de junho de 2014
Desejo ler horas a fio
Jodoigne, 3 de Março de 1976.
Desejo ler horas a fio (o que também consta do ideograma), ler horas e horas sem me levantar. Rodeada de livros, basta estender a mão ou, mais simplesmente ainda, baixar os olhos. Leio algumas páginas e sinto que o que leio me atinge de maneira tão directa e íntima que está naquele momento sendo escrito, e me constrange a devolver-lhe uma resposta; o quarto fica cheio de leitura e da escrita que decorreu; pergunto então a mim mesma, vendo gnomos a transportar pauzinhos e folhas (...) se a escrita tem passado.
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| Ilustração de Amber Alexander |
Desejo ler horas a fio (o que também consta do ideograma), ler horas e horas sem me levantar. Rodeada de livros, basta estender a mão ou, mais simplesmente ainda, baixar os olhos. Leio algumas páginas e sinto que o que leio me atinge de maneira tão directa e íntima que está naquele momento sendo escrito, e me constrange a devolver-lhe uma resposta; o quarto fica cheio de leitura e da escrita que decorreu; pergunto então a mim mesma, vendo gnomos a transportar pauzinhos e folhas (...) se a escrita tem passado.
Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, pp. 121-122
25 de junho de 2014
O livro como memória
Jodoigne, 20 de Abril de 1975.
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| Ilustração de Leonard Tsuguharu Foujita |
O livro não é, para mim, o objecto rápido de uma leitura: dissimula um mútuo: uma época e alguém. «J'écris pour prendre la parole au nom de mes ancêtres qui se sont tus». __________ Liliane Wouters.
Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 45
22 de junho de 2014
Salvo pelas histórias
21 de junho de 2014
Sopa com histórias

Um rato estava sentado
debaixo de uma árvore a ler um livro.
De repente,
uma doninha saltou-lhe em cima
e apanhou-o.
A doninha levou o rato
para casa dela.
- Ah, vou fazer
sopa de rato!
- disse a doninha.
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- Oh, vou tornar-me
sopa de rato!
- disse o rato.
A doninha pôs o rato numa panela.
- ESPERA!
- disse o rato. - Esta sopa
não vai saber a nada.
Não tem histórias.
A sopa de rato
tem que levar histórias
para ficar boa.
Arnold Lobel (texto e ilustrações), in Sopa de Rato, ed. Kaladranka, 2013, col. Livros para sonhar, pp. 8-10
19 de junho de 2014
Sonho...

Sonho por vezes que, quando o dia do juízo chegar e os grandes conquistadores, advogados e estadistas vierem receber as suas recompensas – coroas, louros, nomes gravados indelevelmente em mármore imperecível -, o Todo-Poderoso se voltará para S. Pedro e dirá, não sem uma certa inveja, quando nos vir chegar com os nossos livros debaixo dos braços:
—Olhai, estes não precisam de recompensa. Nada temos para lhes dar. Eles amaram a leitura.
Virginia Woolf
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| Ilustrações de Julianna Swaney |
26 de maio de 2014
Viagem longa
2 de fevereiro de 2014
1 de fevereiro de 2014
29 de janeiro de 2014
Há coisas que não se podem decidir...
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| Ilustração de Pau Anglada |
Os livros salvaram-me. É a primeira vez que digo isto em voz alta. Um homem não pode deixar de envergonhar-se quando diz que não se matou por causa dos livros. Parece mais coisa de rapariga fraca dos nervos. E no entanto é a verdade. Há muito muito tempo, os livros salvaram-me. Se não quiseres acreditar, não acredites. Acreditar também é uma decisão. Há coisas que não se podem decidir. Ter sede, por exemplo. Ser salvo por livros.
28 de janeiro de 2014
Vidas lidas ou vividas?
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| Ilustração de Anna Burighel |
As minhas ideias já estão um pouco confundidas mas não a este respeito. As vidas que li não foram menos minhas. Não há grande diferença entre o que se vive lendo e o que se vive vivendo. Milhares de vidas à nossa espera no silêncio dos livros. O silêncio dos livros não é igual ao nosso.
Dulce Maria Cardoso, "A biblioteca", in O prazer da leitura, ed. FNAC/Teodolito, 2011, pp. 106-107
27 de setembro de 2013
Compreender um escritor
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| Ilustração de Deborah Dewit |
Só mostro que compreendi um escritor quando puder actuar dentro do seu espírito, quando o conseguir traduzir e alterar de diversas maneiras, sem reduzir a sua individualidade.
in Fragmentos de Novalis (seleção, tradução e desenhos de Rui Chafes),
Assírio & Alvim, 2000, 2ª ed., p. 31
18 de setembro de 2013
O velho que lia romances de amor (2)
13 de julho de 2013
Biblioteca ideal
9 de abril de 2013
Ler é bom!
9 de fevereiro de 2013
Apenas assim...
8 de fevereiro de 2013
Ilusão sonora
...a leitura em voz alta exige um acto de criação: uma ilusão sonora que possa ser vista. Não se lê em voz alta para se ser escutado, lemos em voz alta para que os que nos escutam vejam o som, nele se abriguem, o habitem.
A leitura em voz alta não se pode limitar a atribuir às palavras um som qualquer. Há que dar-lhes o som que lhes corresponde, o som com que essas palavras querem ser ditas.
Rodolfo Castro, in A intuição leitora, a intenção narrativa, Gatafunho
12 de janeiro de 2013
O tempo do inútil
O tempo de
ler associa-se ao tempo de lazer mas também ao não tempo, que é o tempo de
Deus. O tempo do inútil, do “desútil”, como refere o poeta brasileiro Manoel de
Barros, ou seja, de um tempo mais para ser do que para fazer, um tempo por
vezes difícil de encontrar e de nos concedermos mas que, quando no-lo
concedemos, nos amplia o olhar e o coração, cava o silêncio que germina em nós
e nos purifica. Ler é, pois, também ler-nos, ler a nossa própria história, quer
por identificação quer por contraste com personagens, vivências, locais, cores,
culturas, aromas, civilizações, hábitos e costumes. O tempo e o espaço
transportam-nos para outros lugares e para lugar nenhum, para a utopia, o
sonho, a irrealidade, um espaço de liberdade e de imaginação, espaço de
narrativas que nos oferecem um tempo gratuito, de fruição ou de aprendizagem.
De encontro ou de ilusão. De simpatia ou de transporte para outras realidades
diferentes das do quotidiano.
Os livros são
ponte para a “teologia da inutilidade”, de que
nos fala Tolentino Mendonça, para o lugar da estética, da poesia, da
reflexão, do sem porquê, como a rosa ou o brinquedo.,
Maria Carla Crespo
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