Número total de visualizações de páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta ver. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ver. Mostrar todas as mensagens

29 de julho de 2015

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave



Ilustração de Robert Neubecker

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.


                                                                                     Alberto Caeiro

30 de abril de 2014

O que é um poeta na terra?

Ilustração de Sonia MariaLuce Possentini 

O que é um poeta na terra? É alguém que ensina a ver. Alguém que não se conforma que o olhar dos homens fique capturado pelo breu, pela desesperança ou pelo medo. É alguém que nos infernos e purgatórios da história rasga saídas criativas, fendas para olhar mais longe, miradouros debruçados sobre um futuro outro, capaz de estilhaçar a fatalidade. Claro que a matéria de trabalho de um poeta é a palavra. Mas a palavra não é só palavra: é sede, é desejo de comunicar, é mergulho na realidade para a compreender melhor, é a sabedoria de perceber que o visível é também um signo do invisível e que não se pode separar o audível do inaudível, a palavra do silêncio.


José Tolentino Mendonça, "Em memória de Vasco Graça Moura: Um poeta é alguém que ensina a ver", in
SNPC | 29.04.14

13 de fevereiro de 2014

O essencial é invisível para os olhos


Ilustração de Ann Ernandez


- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - Vou contar-te o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...

- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.

Saint-Exupéry, in O Principezinho, Editora Caravela, 1987, 12ª ed., p. 74

1 de setembro de 2013

Medo de ser


Ontem, no entanto, perdi durante horas e horas a minha montagem humana. Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como é que se explica que o meu maior medo seja exactamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exactamente o de ir vivendo o que for sendo?
 
 
Ilustração de Rebecca Kinkead
   

Como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra - como se antes eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?

 
Clarice Lispector, in A paixão segundo G.H., Relógio d'Água, 2000, p.10
 
 

12 de julho de 2012

O essencial não se vê

Ilustração de António João Santos e João Rodrigues
- O mundo que vemos é um consenso - disse Sors. - A maioria é que diz como é o mundo. Se a maioria olhar para uma mesa e disser que é uma mesa, a minoria que acha que é outra coisa é internada. 


O processo é simples, basta ver, no mundo à nossa volta, coisas que outros não veem.


 Afonso Cruz, in O Pintor debaixo do lava-loiças