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14 de agosto de 2014

14 de Agosto

Ilustração de Keiko Shibata 


Na praia, o horizonte é uma linha recta de mar.

Afonso Cruz, "14 de Agosto", in O livro do ano, Editora Objectiva, 2013, 1ª ed., p.68 

6 de agosto de 2014

Passos de tantas vias

Ilustração de Patricia Metola


Assim ficara, parado nos primeiros passos de tantas vias, com o espírito cheio de mundos, ou de pedrinhas, que é a mesma coisa.


Luigi Pirandello, in Um, ninguém e cem mil, Cavalo de Ferro, 2014, 3ª ed., p. 7 

29 de julho de 2014

É assim

Ilustrações de


É assim:
a gente despede-se, vai-se
embora amaldiçoando a terra,
carrega amargura que nem o diabo
aguenta; com o tempo vai
esquecendo injustiças, mágoas,
injúrias, morrendo por regressar
ao cheiro da palha seca, ao calor
animal do estábulo
ao sonho do quintalório
com três alqueires de milho ao sol
e dois pinheiros bravos -
porque não há no mundo
outro lugar onde
enfim dê tanto gosto chafurdar.



Eugénio de Andrade, in O Sal da Língua


 Lowell Herrero

25 de julho de 2014

Coral

Ilustração de Roz Art
Ia e vinha

E a cada coisa perguntava

Que nome tinha.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética, Caminho, 2011, 2ª ed., p. 207


21 de julho de 2014

Uma Grandecíssima Injustiça

Ilustração de Vladimir Golub



...estas coisas da gente grande são difíceis de compreender porque a gente grande tem palha no coco e o resto é treta...



Luís de Sttau Monteiro, "Uma Grandecíssima Injustiça" in Redacções da Guidinha, Areal Editores



19 de julho de 2014

Entardecer

Ilustração de Ellie Horie

Entardecíamos em Deus.


Fernando Echevarría, in Verbo, Deus como interrogação a poesia portuguesa, Assírio&Alvim, 2014, p. 105



16 de julho de 2014

Deus é um boomerang

Ilustração de Eszter Schall

Deus é um boomerang

e eu sou a sua filha pródiga


Adília Lopes, in Verbo, Deus como interrogação na poesia portuguesa, Assírio&Alvim, 2014, p. 192

15 de julho de 2014

Deus é a nossa mulher-a-dias

Ilustração de Daltr Onde
Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a vida
porque achamos
que não presta


Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a fé
porque achamos
que é pirosa

Adília Lopes, in Verbo, Deus como interrogação na poesia portuguesa, Assírio&Alvim, 2014, p. 195

13 de julho de 2014

Pedrinhas no espírito

Ilustração de Catarina Sobral

Assim ficara, parado nos primeiros passos de tantas vias, com o espírito cheio de mundos, ou de pedrinhas, que é a mesma coisa.

Luigi Pirandello, in Um, ninguém e cem mil, Cavalo de Ferro, 2014, 3ª ed., p. 7

11 de julho de 2014

Casa

Ilustração de Chris Chapman


...limpar a casa, libertá-la de máculas...

Maria Gabriela Llansol

10 de julho de 2014

Limites?

Ilustração de Amber Alexander



Evoluir é talvez o último limite...




Maria Gabriela Llansol in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 183

9 de julho de 2014

Hoje é quarta-feira

Jodoigne, 15 de Dezembro de 1976.

Ilustração de Liiu Ye

Hoje é quarta-feira. Sábado, domingo, de que faço parte. Amanhã é quinta, sexta, segunda, terça, de que não faço completamente parte, perdida no trabalho.



Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 137

8 de julho de 2014

A obra da minha vida

Jodoigne, 18 de Dezembro de 1976.

Ilustração de Nguyễn Minh Hải

Ponho-me a meditar e concluo que a obra da minha
vida abrange toda a espécie de trabalhos preparatórios,
entre os quais
reconverter-me a uma originalidade,
encaminhar-me para o mesmo lugar.


Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 138

6 de julho de 2014

Varandas






Ilustração de Elisabetta Trevisan

É na varanda que os poemas emergem
Quando se azula o rio e brilha
O verde-escuro do cipreste – quando
Sobre as águas se recorta a branca escultura
Quasi oriental quasi marinha
Da torre aérea e branca
E a manhã toda aberta
Se torna irisada e divina
E sobre a página do caderno o poema se alinha



Ilustração de Elisabetta Trevisan


Noutra varanda assim num Setembro de outrora
Que em mil estátuas e roxo azul se prolongava
Amei a vida como coisa sagrada
E a juventude me foi eternidade


Sophia de Mello Breyner Andresen, "O Búzio de Cós", in Obra PoéticaCaminho, 2011, 2ª ed., p. 820


5 de julho de 2014

Deus é no dia

Ilustração de 孟楠楠

Deus é no dia uma palavra calma

Um sopro de amplidão e de lisura.



Sophia de Mello Breyner Andresen, "Mar Novo", in Obra PoéticaCaminho, 2011, 2ª ed., p. 361

4 de julho de 2014

A paz sem vencedores e sem vencidos



Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, por Maria Barroso, no dia da trasladação da poeta para o Panteão Nacional. Publicado por Pastoral da Cultura.


3 de julho de 2014

É o teu rosto ainda que eu procuro

Ilustração de Irene Jones

É o teu rosto ainda que eu procuro


Através do terror e da distância


Para a reconstrução de um mundo puro.

Sophia de Mello Breyner Andresen, "Mar Novo", in Obra PoéticaCaminho, 2011, 2ª ed., p. 308


2 de julho de 2014

Harpa

Ilustração de Aimee Sicuro

A juventude impetuosa do mar invade o quarto
A musa poisa no espaço vazio à contraluz
As cordas transparentes da harpa

E no espaço vazio dedilha as cordas ressoantes


Sophia de Mello Breyner Andresen, O Búzio de Cós e outros poemas 

in Obra Poética, Caminho, 2011, 2ª ed., p. 823

Chamo-Te

Ilustração de Elisabetta Trevisan
Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos Teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu não quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a terra
Em Primavera feroz precipitado.



Sophia de Mello Breyner Andresen, Coral in Obra Poética, Caminho, 2011, 2ª ed., p. 201

1 de julho de 2014

O arco das espumas


Ilustração de RosArt

O mar rolou as suas ondas negras


Sobre as praias tocadas de infinito.



Sophia de Mello Breyner Andresen, "No Tempo Dividido", in Obra Poética, Caminho, 2011, 2ª ed., p. 282

30 de junho de 2014

...se leio?

Ilustração de 孟楠楠


Que mais quero ver, 

se leio?


Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 161

29 de junho de 2014

Ler infinitamente

A finalidade de ler não é guardar na memória. Eu esqueço-me do que leio mas encontro-me, ao cair da noite, com ele. (...)


Ilustração de Siegfried Linke


Ler estende-se pelo tempo e quer o espaço do dia a dia para projectar a sua sombra. Ler estende-se por vertentes desconhecidas, e eu leio pouco, mas infinitamente. 



Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 160

27 de junho de 2014

Desejo ler horas a fio

Jodoigne, 3 de Março de 1976.


Ilustração de Amber Alexander

Desejo ler horas a fio (o que também consta do ideograma), ler horas e horas sem me levantar. Rodeada de livros, basta estender a mão ou, mais simplesmente ainda, baixar os olhos. Leio algumas páginas e sinto que o que leio me atinge de maneira tão directa e íntima que está naquele momento sendo escrito, e me constrange a devolver-lhe uma resposta; o quarto fica cheio de leitura e da escrita que decorreu; pergunto então a mim mesma, vendo gnomos a transportar pauzinhos e folhas (...) se a escrita tem passado.

                                                      Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, pp. 121-122


25 de junho de 2014

O livro como memória


Jodoigne, 20 de Abril de 1975.

Ilustração de Leonard Tsuguharu Foujita

O livro não é, para mim, o objecto rápido de uma leitura: dissimula um mútuo: uma época e alguém. «J'écris pour prendre la parole au nom de mes ancêtres qui se sont tus». __________ Liliane Wouters. 

Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 45

23 de junho de 2014

Cansaço da escola

Ilustração de Gooroovoo

Jodoigne, 23 de Abril de 1975.


Estou fatigada. O trabalho da escola cansa-me. Não suporto mais as permanentes intromissões dos pais, que nunca sabem o que querem juntos. Estou com as crianças e penso no livro. Sinto a ausência de um mestre para as minhas constantes interrogações.


Alguém terá de vir.
Cristina veio passar alguns dias connosco, e trouxe-me um livro de Kierkegaard: Les Miettes Philosophiques.


Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 51

22 de junho de 2014

Salvo pelas histórias

Ilustração de Arnold Lobel



O rato tinha corrido muito
para chegar são e salvo a sua casa.

Acendeu a luz,
jantou
e acabou de ler o seu livro.


Arnold Lobel, 
 in Sopa de Rato, ed. Kaladranka, 2013, col. Livros para sonhar, pp. 62-64

21 de junho de 2014

Histórias para a sopa de rato


                 Arnold Lobel in Sopa de Rato, ed. Kaladranka, 2013, col. Livros para sonhar

Sopa com histórias



Um rato estava sentado 
debaixo de uma árvore a ler um livro.

De repente,
uma doninha saltou-lhe em cima
e apanhou-o.

A doninha levou o rato
para casa dela.

- Ah, vou fazer
sopa de rato!
- disse a doninha. 







- Oh, vou tornar-me
sopa de rato!
- disse o rato. 

A doninha pôs o rato numa panela. 



- ESPERA!
- disse o rato. - Esta sopa
não vai saber a nada.
Não tem histórias.
A sopa de rato
tem que levar histórias 
para ficar boa.


Arnold Lobel (texto e ilustrações), in Sopa de Rato, ed. Kaladranka, 2013, col. Livros para sonhar, pp. 8-10

19 de junho de 2014

Sonho...




Sonho por vezes que, quando o dia do juízo chegar e os grandes conquistadores, advogados e estadistas vierem receber as suas recompensas – coroas, louros, nomes gravados indelevelmente em mármore imperecível -, o Todo-Poderoso se voltará para S. Pedro e dirá, não sem uma certa inveja, quando nos vir chegar com os nossos livros debaixo dos braços:

—Olhai, estes não precisam de recompensa. Nada temos para lhes dar. Eles amaram a leitura.



Virginia Woolf
Ilustrações de Julianna Swaney








17 de junho de 2014

Pensamento de galinha

Ilustração de Flor Opazo
Se ela pensasse, pensaria assim: é muito melhor morrer sendo útil e gostosa para uma gente que sempre me tratou bem, essa gente por exemplo não me matou nenhuma vez. (A galinha é tão burra que não sabe que só se morre uma vez, ela pensa que todos os dias a gente morre uma vez.)


Clarice Lispector, in A vida íntima de Laura, Relógio d'Água, 2012

16 de junho de 2014

Verdades sobre Laura

Ilustração de Flor Opazo



Acho que vou ter que contar uma verdade. A verdade é que Laura tem o pescoço mais feio que já vi no mundo. Mas você não se importa, não é? Porque o que vale mesmo é ser bonito por dentro. Você tem beleza por dentro? Aposto como tem. (...)

Outra verdade: Laura é bastante burra. Tem gente que acha ela burríssima, mas isto também é exagero: quem conhece bem Laura é que sabe que Laura tem seus pensamentozinhos e sentimentozinhos. Não muitos, mas que tem, tem.


Clarice Lispector, in A vida íntima de Laura, Relógio d'Água, 2012

Laura é uma galinha


Ilustração de Flor Opazo

Peço a você  o favor de gostar logo de Laura porque ela é a galinha mais simpática que já vi. Vive no quintal de Dona Luísa com as outras aves. É casada com um galo chamado Luís. Luís gosta muito de Laura, embora às vezes brigue com ela. Mas briguinha à toa.

Clarice Lispector, in A vida íntima de Laura, Relógio d'Água, 2012

15 de junho de 2014

Ulisses



O mito é o nada que é tudo.

O mesmo sol que abre os céus

É um mito brilhante e mudo –

O corpo morto de Deus,
Ilustração de Danuta Wojciechwska


Vivo e desnudo.



Este que aqui aportou,

Foi por não ser existindo.

Sem existir nos bastou.

Por não ter vindo foi vindo

E nos criou.



Assim a lenda se escorre

A entrar na realidade,

E a fecundá-la decorre.

Em baixo, a vida, metade

De nada, morre.

Fernando Pessoa, in Mensagem

14 de junho de 2014

À chegada dos dias grandes



Da luva lentamente aliviada
a minha mão procura a primavera
Nas pétalas não poisa já geada
e o dia é já maior que ontem era

Não temo mesmo aquilo que temera
se antes viesse: chuva ou trovoada
é este o Deus que o meu peito venera
Sinto-me ser eu que não era nada


Ilustrações de Marion Arbona 

A primavera é o meu país
Saio à rua sento-me no chão
e abro os braços e deito raiz

E dá flores até a minha mão
Sei que foi isto que sem querer quis
e reconheço a minha condição.

Ruy Belo, in Todos os Poemas

13 de junho de 2014

Sermão de Santo António aos peixes

Olhai, peixes, lá do mar para a terra. Não, não; não é isso o que vos digo. Vós virais os olhos para os matos e para o sertão? Para cá, para cá; para a cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só os tapuias se comem uns aos outros; muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os brancos. Vedes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele andar, vedes todo aquele concorrer[1] às praças e cruzar as ruas? Vedes aquele subir e descer as calçadas, vedes aquele entrar e sair sem quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão-de comer, e como se hão-de comer.

Ilustração de Anton Gorcevich

(…) Já se os homens se comeram[2] somente depois de mortos, parece que era menos horror e menos matéria de sentimento. Mas, para que conheçais a que chega a vossa crueldade, considerai, peixes, que também os vossos homens se comem vivos, assim como vós. (…) Vede um homem desses que andam perseguidos de pleitos[3] ou acusados de crimes, e olhai quantos o estão comendo. Come-o o meirinho[4], come-o o solicitador, come-o o advogado, come-o o inquiridor, come-o a testemunha, come-o o julgador, e ainda não está sentenciado e já está comido. São piores os homens que os corvos. O triste que foi à forca, não o comem os corvos senão depois de executado e morto; e o que anda em juízo, ainda não está executado nem sentenciado e já está comido.

Padre António Vieira, in Sermão de Santo António aos peixes





[1] acorrer
[2] comessem
[3] acções judiciais, processos no tribunal
[4]oficial de justiça

11 de junho de 2014

Dança II


De pés nus pisas o solo. Sentes a música dentro de ti e sem saber como gizas no ar movimentos e ritmos novos, em improviso próprio. Coreografias desenhadas no momento, em explosão urgente de desejos e de imagens retidas no tempo e no espaço. Elevas-te no ar e falas de cidades percorridas à descoberta, de pessoas cruzadas e esquecidas, do pio do pássaro à tardinha e da planta que regas todos os dias, em rotinas cheias. 

Ilustração de Nolla
Devagar, a música baixa e esquecendo-a ouves o teu próprio corpo, em sons ritmados, tensos e libertadores. Cada braço e cada perna em rotação espelham o que tu és e projectam-te para fora de ti em comunhão com o exterior, numa revelação de ti mesma. É deste modo que te conheces profundamente e te ultrapassas num todo cujo nome é muitas vezes indizível. 

Ilustração de Adolfo Serra

É isto a dança e é assim que nos podemos reinventar.

Marina Baltar

10 de junho de 2014

Nevoeiro

Ilustração de Stephanie Pui-Mun Law

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

Fernando Pessoa, in Mensagem

Screvo meu livro à beira mágoa

Ilustração de Danuta Wojciechwska

Screvo meu livro à beira mágoa.
Meu coração não tem que ter.
Tenho meus olhos quentes de água.
Só tu, Senhor, me dás viver.

Só te sentir e te pensar
Meus dias vácuos enche e doura.
Mas quando quererás voltar?
Quando é o Rei? Quando é a Hora?

Quando virás a ser o Cristo
De a quem morreu o falso Deus,
E a despertar do mal que existo
A Nova Terra e os Novos Céus?

Quando virás, ó Encoberto,
Sonho das eras português,
Tornar-me mais que o sopro incerto
De um grande anseio que Deus fez?

Ah, quando quererás voltando,
Fazer minha esperança amor?
Da névoa e da saudade quando?
Quando, meu Sonho e meu Senhor?

Fernando Pessoa, in Mensagem

8 de junho de 2014

Acordou a manhã

 Acordou a Manhã
P’ra dar
De beber aos pássaros…

O Sol pôs-se a pino
P´ra lhe doirar as asas…
A Noite veio
P’ra fechar
As pálpebras dos pássaros…
  
Ilustração de S. Eidrigevicius
De nada disto os pássaros souberam.
E todo o dia cantaram
Como se agradecessem…

                                                                           
Sebastião da Gama, in Estevas