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11 de julho de 2014

Casa

Ilustração de Chris Chapman


...limpar a casa, libertá-la de máculas...

Maria Gabriela Llansol

10 de julho de 2014

Limites?

Ilustração de Amber Alexander



Evoluir é talvez o último limite...




Maria Gabriela Llansol in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 183

9 de julho de 2014

Hoje é quarta-feira

Jodoigne, 15 de Dezembro de 1976.

Ilustração de Liiu Ye

Hoje é quarta-feira. Sábado, domingo, de que faço parte. Amanhã é quinta, sexta, segunda, terça, de que não faço completamente parte, perdida no trabalho.



Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 137

8 de julho de 2014

A obra da minha vida

Jodoigne, 18 de Dezembro de 1976.

Ilustração de Nguyễn Minh Hải

Ponho-me a meditar e concluo que a obra da minha
vida abrange toda a espécie de trabalhos preparatórios,
entre os quais
reconverter-me a uma originalidade,
encaminhar-me para o mesmo lugar.


Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 138

6 de julho de 2014

Varandas






Ilustração de Elisabetta Trevisan

É na varanda que os poemas emergem
Quando se azula o rio e brilha
O verde-escuro do cipreste – quando
Sobre as águas se recorta a branca escultura
Quasi oriental quasi marinha
Da torre aérea e branca
E a manhã toda aberta
Se torna irisada e divina
E sobre a página do caderno o poema se alinha



Ilustração de Elisabetta Trevisan


Noutra varanda assim num Setembro de outrora
Que em mil estátuas e roxo azul se prolongava
Amei a vida como coisa sagrada
E a juventude me foi eternidade


Sophia de Mello Breyner Andresen, "O Búzio de Cós", in Obra PoéticaCaminho, 2011, 2ª ed., p. 820


5 de julho de 2014

Deus é no dia

Ilustração de 孟楠楠

Deus é no dia uma palavra calma

Um sopro de amplidão e de lisura.



Sophia de Mello Breyner Andresen, "Mar Novo", in Obra PoéticaCaminho, 2011, 2ª ed., p. 361

4 de julho de 2014

A paz sem vencedores e sem vencidos



Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, por Maria Barroso, no dia da trasladação da poeta para o Panteão Nacional. Publicado por Pastoral da Cultura.


3 de julho de 2014

É o teu rosto ainda que eu procuro

Ilustração de Irene Jones

É o teu rosto ainda que eu procuro


Através do terror e da distância


Para a reconstrução de um mundo puro.

Sophia de Mello Breyner Andresen, "Mar Novo", in Obra PoéticaCaminho, 2011, 2ª ed., p. 308


2 de julho de 2014

Harpa

Ilustração de Aimee Sicuro

A juventude impetuosa do mar invade o quarto
A musa poisa no espaço vazio à contraluz
As cordas transparentes da harpa

E no espaço vazio dedilha as cordas ressoantes


Sophia de Mello Breyner Andresen, O Búzio de Cós e outros poemas 

in Obra Poética, Caminho, 2011, 2ª ed., p. 823

Chamo-Te

Ilustração de Elisabetta Trevisan
Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos Teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu não quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a terra
Em Primavera feroz precipitado.



Sophia de Mello Breyner Andresen, Coral in Obra Poética, Caminho, 2011, 2ª ed., p. 201

1 de julho de 2014

O arco das espumas


Ilustração de RosArt

O mar rolou as suas ondas negras


Sobre as praias tocadas de infinito.



Sophia de Mello Breyner Andresen, "No Tempo Dividido", in Obra Poética, Caminho, 2011, 2ª ed., p. 282

30 de junho de 2014

...se leio?

Ilustração de 孟楠楠


Que mais quero ver, 

se leio?


Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 161

29 de junho de 2014

Ler infinitamente

A finalidade de ler não é guardar na memória. Eu esqueço-me do que leio mas encontro-me, ao cair da noite, com ele. (...)


Ilustração de Siegfried Linke


Ler estende-se pelo tempo e quer o espaço do dia a dia para projectar a sua sombra. Ler estende-se por vertentes desconhecidas, e eu leio pouco, mas infinitamente. 



Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 160

27 de junho de 2014

Desejo ler horas a fio

Jodoigne, 3 de Março de 1976.


Ilustração de Amber Alexander

Desejo ler horas a fio (o que também consta do ideograma), ler horas e horas sem me levantar. Rodeada de livros, basta estender a mão ou, mais simplesmente ainda, baixar os olhos. Leio algumas páginas e sinto que o que leio me atinge de maneira tão directa e íntima que está naquele momento sendo escrito, e me constrange a devolver-lhe uma resposta; o quarto fica cheio de leitura e da escrita que decorreu; pergunto então a mim mesma, vendo gnomos a transportar pauzinhos e folhas (...) se a escrita tem passado.

                                                      Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, pp. 121-122


25 de junho de 2014

O livro como memória


Jodoigne, 20 de Abril de 1975.

Ilustração de Leonard Tsuguharu Foujita

O livro não é, para mim, o objecto rápido de uma leitura: dissimula um mútuo: uma época e alguém. «J'écris pour prendre la parole au nom de mes ancêtres qui se sont tus». __________ Liliane Wouters. 

Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 45

23 de junho de 2014

Cansaço da escola

Ilustração de Gooroovoo

Jodoigne, 23 de Abril de 1975.


Estou fatigada. O trabalho da escola cansa-me. Não suporto mais as permanentes intromissões dos pais, que nunca sabem o que querem juntos. Estou com as crianças e penso no livro. Sinto a ausência de um mestre para as minhas constantes interrogações.


Alguém terá de vir.
Cristina veio passar alguns dias connosco, e trouxe-me um livro de Kierkegaard: Les Miettes Philosophiques.


Maria Gabriela Llansol, in Finita, Assírio&Alvim, 2005, p. 51

22 de junho de 2014

Salvo pelas histórias

Ilustração de Arnold Lobel



O rato tinha corrido muito
para chegar são e salvo a sua casa.

Acendeu a luz,
jantou
e acabou de ler o seu livro.


Arnold Lobel, 
 in Sopa de Rato, ed. Kaladranka, 2013, col. Livros para sonhar, pp. 62-64

21 de junho de 2014

Histórias para a sopa de rato


                 Arnold Lobel in Sopa de Rato, ed. Kaladranka, 2013, col. Livros para sonhar

Sopa com histórias



Um rato estava sentado 
debaixo de uma árvore a ler um livro.

De repente,
uma doninha saltou-lhe em cima
e apanhou-o.

A doninha levou o rato
para casa dela.

- Ah, vou fazer
sopa de rato!
- disse a doninha. 







- Oh, vou tornar-me
sopa de rato!
- disse o rato. 

A doninha pôs o rato numa panela. 



- ESPERA!
- disse o rato. - Esta sopa
não vai saber a nada.
Não tem histórias.
A sopa de rato
tem que levar histórias 
para ficar boa.


Arnold Lobel (texto e ilustrações), in Sopa de Rato, ed. Kaladranka, 2013, col. Livros para sonhar, pp. 8-10

19 de junho de 2014

Sonho...




Sonho por vezes que, quando o dia do juízo chegar e os grandes conquistadores, advogados e estadistas vierem receber as suas recompensas – coroas, louros, nomes gravados indelevelmente em mármore imperecível -, o Todo-Poderoso se voltará para S. Pedro e dirá, não sem uma certa inveja, quando nos vir chegar com os nossos livros debaixo dos braços:

—Olhai, estes não precisam de recompensa. Nada temos para lhes dar. Eles amaram a leitura.



Virginia Woolf
Ilustrações de Julianna Swaney