Sophia de Mello Breyner Andresen, "Os três reis do Oriente", in Contos Exemplares, Figueirinhas, 2006, 36ª ed., pp. 147-148
Um blogue que se alimenta de e com ilustrações e palavras, sobretudo textos literários.
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6 de janeiro de 2015
5 de janeiro de 2015
Palavra ou estrela?
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| ilustração de Eugen Sopko |
Primeiro pareceu a Gaspar que a estrela era uma palavra, uma palavra de repente dita na muda atenção do céu.
Mas depois o seu olhar habituou-se ao novo brilho e ele viu que era uma estrela, uma nova estrela, semelhante às outras, mas um pouco mais próxima e mais clara e que, muito devagar, deslizava para o Ocidente.
Sophia de Mello Breyner Andresen, "Os três reis do Oriente", in Contos Exemplares, Figueirinhas, 2006, 36ª ed., pp. 147-148
4 de janeiro de 2015
Reis Magos
Ajoelhado no terraço Gaspar olhava o céu da noite. Olhava a alta e vasta abóbada nocturna, escura e luminosa, que simultaneamente mostrava e escondia.
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| Ilustração de Maarit Ailio |
E disse:
— Senhor, como estás longe e oculto e presente! Oiço apenas o ressoar do teu silêncio que avança para mim e a minha vida apenas toca a franja límpida da tua ausência. Fito em meu redor a solenidade das coisas como quem tenta decifrar uma escrita difícil. Mas és tu que me lês e me conheces. Faz que nada do meu ser se esconda. Chama à tua claridade a totalidade do meu ser para que o meu pensamento se torne transparente e possa escutar a palavra que desde sempre me dizes.
Sophia de Mello Breyner Andresen, "Os três reis do Oriente", in Contos Exemplares, Figueirinhas, 2006, 36ª ed., pp. 147-148
3 de janeiro de 2015
Noite
| Ilustração de Friedrich Hechelmann |
Noite. Noite em nossa roda. Noite aberta.
E encontramos um silêncio imenso,
Um silêncio perfeito que nos esperava desde sempre.
E uma solidão que era a nossa imagem,
E uma profunda esperança,
Como se a noite tremesse
De tocar a aurora.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Poemas
Dispersos, Obra Poética, Caminho,
2011, 2ª ed., p. 856
1 de janeiro de 2015
31 de dezembro de 2014
Viajar! Perder países!
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| Ilustração de Basia Konczarek |
30 de dezembro de 2014
Criar o leitor
27 de dezembro de 2014
O tigre e os morangos
Há algum tempo atrás, um homem que estava a caminhar pelo campo encontrou um tigre.
Assustado, começou a correr e o tigre correu atrás dele.
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| Ilustração de Mariam Ben-Arab |
Aproximou-se de um precipício, pegou nas raízes expostas de um arbusto selvagem e pendurou-se, precipitadamente, para baixo. O tigre farejava-o. Tremendo de medo, o homem olhou para baixo e viu, no fundo do precipício, outro tigre à sua espera. Só estava agarrado pela raiz do arbusto.
Porém, ao olhar para a planta, descobriu uns morangos, mesmo ali ao lado.
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| Ilustração de Wojtek Kowalczyk |
Então o homem segurou a raiz só com uma mão e, com a outra, pegou nos morangos, comeu-os e exclamou:
- Que delícia!
(Conto Zen)
26 de dezembro de 2014
Amigos
25 de dezembro de 2014
Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito.
Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura,
porque não havia lugar para eles na hospedaria.
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| Ilustração de Faruffa |
Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os
rebanhos.
O Anjo do Senhor aproximou-se deles, e a glória do Senhor cercou-os de luz; e
eles tiveram grande medo.
Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo
o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em
panos e deitado numa manjedoura».
Lucas 2, 6-12
Uma grande luz
24 de dezembro de 2014
Que neste Natal nos deixemos surpreender!
23 de dezembro de 2014
Encontro homem - mundo
21 de dezembro de 2014
À procura do burro
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| Ilustração de Dainius Šukys |
"Onde vais, Mullah?", perguntaram-lhe.
"Estou à procura do meu burro", respondia Nasrudin, quando passava.
Certa ocasião, algumas pessoas vieram ter com Rinzai, o Mestre de Zen, à procura do seu próprio corpo. Ele fez com que desatassem a rir os seus mais estúpidos discípulos.
Anthony de Mello, s.j., in El Canto del pájaro (trad. e adapt.)
18 de dezembro de 2014
Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos
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| ILustração de Jan Kudláček |
Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos,
Sacode as aves que te levam o olhar,
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.
Porque eu cheguei e é tempo de me veres,
Mesmo que os meus gestos te trespassem
De solidão e tu caias em poeira,
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras
E os teus olhos nunca mais possam olhar.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Coral, Obra Poética, Caminho, 2011, 2ª ed., p. 187
17 de dezembro de 2014
Imitação do divino
16 de dezembro de 2014
O belo, o instante e o eterno
15 de dezembro de 2014
O que valem as palavras
As mesmas palavras (ex., um homem diz à sua mulher: amo-vos) podem ser vulgares ou extraordinárias, segundo o modo como são pronunciadas. E este modo depende da profundidade da região do ser de onde procedem, sem que a vontade possa fazer algo contra isso.
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| Ilustração de Lyudmila Romanova |
E, por meio de uma harmonia maravilhosa, vão tocar, naquele que escuta, a mesma região. Assim, aquele que escuta pode discernir, se tiver discernimento, o que valem aquelas palavras.
Simone Weil, in A gravidade e a graça, Relógio d' Água, 2004, p. 70
12 de dezembro de 2014
Mapa de odores
10 de dezembro de 2014
O odor único e irrepetível
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| Ilustração de Bella Sinclair |
Tolentino Mendonça, in A mística do instante – O tempo e a promessa, Paulinas, 2014, col. Poéticas do viver crente , pp. 115-116
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