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| Ilustração de Maki Hino |
O divino sussurra no universo
Algo emerge: primordial projecto.
Sophia de Mello Breyner
Andresen, in O Nome das coisas
Um blogue que se alimenta de e com ilustrações e palavras, sobretudo textos literários.
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| Cidades, de Amy Casey |
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| Ilustração de André Letria |
A cena do criado ou do empregado doméstico, no alto do seu escadote, a espanejar amorosamente os derradeiros volumes da biblioteca cheira a nostalgia suspeita. O tempo acelerou espantosamente, como Hegel e Kierkegaard foram dos primeiros a fazer notar. Os vários momentos de tempo livre de que depende qualquer leitura séria, silenciosa e responsável tornaram-se apanágio quase exclusivo dos universitários e dos investigadores. Vamos matando o tempo em vez de nos sentirmos à vontade adentro dos seus limites.![]() |
| Ilustrações de Vladymyr Lukash |
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| Ilustração de Kristin Kwan |
| Ilustrações de María Julia Díaz Garrido e David Daniel Álvarez Hernández |
O tempo de
ler associa-se ao tempo de lazer mas também ao não tempo, que é o tempo de
Deus. O tempo do inútil, do “desútil”, como refere o poeta brasileiro Manoel de
Barros, ou seja, de um tempo mais para ser do que para fazer, um tempo por
vezes difícil de encontrar e de nos concedermos mas que, quando no-lo
concedemos, nos amplia o olhar e o coração, cava o silêncio que germina em nós
e nos purifica. Ler é, pois, também ler-nos, ler a nossa própria história, quer
por identificação quer por contraste com personagens, vivências, locais, cores,
culturas, aromas, civilizações, hábitos e costumes. O tempo e o espaço
transportam-nos para outros lugares e para lugar nenhum, para a utopia, o
sonho, a irrealidade, um espaço de liberdade e de imaginação, espaço de
narrativas que nos oferecem um tempo gratuito, de fruição ou de aprendizagem.
De encontro ou de ilusão. De simpatia ou de transporte para outras realidades
diferentes das do quotidiano.![]() |
| Ilustração de Fuco Ueda |