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13 de fevereiro de 2013

A meta e o caminho



Ilustração de Stefano Arici
Quem não apaga a meta não vê nada do que está entre o início e o fim do caminho.

José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena III




Sou

Ilustração de Scott Kahn






Não digas: aprendo a caminhar na escuridão. Diz somente: sou.


 José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena III

12 de fevereiro de 2013

A meta


Ilustração de Katy Hare
Quem apenas quer a meta não viaja.


José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena III

11 de fevereiro de 2013

Regresso ao bosque



Ilustração de James C. Christensen


Um dia os homens deixarão os aviões, os transatlânticos, os comboios de alta velocidade, os automóveis para regressar aos caminhos do bosque.


José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena III

À entrada do bosque


Eu sou apenas um estranho à beira de um bosque.

José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena III

Ilustração de Stefano Arici

10 de fevereiro de 2013

Os sentidos dos trilhos

Ilustração de Scott Kahn

Cada trilho conduz a mais do que um sentido.


José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena I

E ele não sentia medo

Ilustração de Aki


JACOB [descrevendo como John Wolf vive a sua cegueira]


A paisagem apagava-se nos seus olhos, e ele não sentia medo. Sem ver, olhava. Era como se aceitasse a nova forma de solidão. Nada mais que o passo silencioso nos degraus que sobem em espiral. Nada mais que o rumor do seu fino bordão.


José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Assírio & Alvim, 2013, 1ª ed.,   Cena II, p.20

9 de fevereiro de 2013

O Estado do Bosque

Ilustrações de Aki

Na recente obra dramática de José Tolentino Mendonça, o bosque é metáfora de plenitude, de busca, de local de encontro com Deus. As personagens são guiadas por um cego, John Wolf, que tem do mundo uma perceção sensorial e bela, de confiança:


JOHN WOLF

(...) Finalmente vejo o rosto de Deus.


 José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Assírio & Alvim, 2013, 1ª ed., Cena IV, p. 38





Apenas assim...

Ilustração de Victor Nizovtsev 

A leitura promove-se lendo. Apenas assim.

Rodolfo Castro, in A intuição leitora, a intenção narrativa, Gatafunho


8 de fevereiro de 2013

Ilusão sonora

Ilustrações de Victor Nizovtsev 


















...a leitura em voz alta exige um acto de criação: uma ilusão sonora que possa ser vista. Não se lê em voz alta para se ser escutado, lemos em voz alta para que os que nos escutam vejam o som, nele se abriguem, o habitem.


A leitura em voz alta não se pode limitar a atribuir às palavras um som qualquer. Há que dar-lhes o som que lhes corresponde, o som com que essas palavras querem ser ditas.

Rodolfo Castro, in A intuição leitora, a intenção narrativa, Gatafunho

5 de fevereiro de 2013

Som

Ilustração de Anne Marie Hugot
Fica-nos na retina a cor verde e nos ouvidos a flauta afastada dos melros.

Raul Brandão, in As ilhas desconhecidas

4 de fevereiro de 2013

Existencialismo e abismo

Ilustração de Orijiiro

Os filósofos existencialistas levam as pessoas a visitar o abismo mas não conseguem afastá-las dele.

 Marinoff, Lou, in Mais Platão, menos Prozac!

Uma filosofia pessoal

Ilustração de Artisalma Deviantart
Cada pessoa tem a sua própria filosofia de vida, mas poucos de nós têm o privilégio ou o tempo disponível para se poderem sentar a ordenar os pensamentos. Tendemos a pensar enquanto vamos fazendo outras coisas. A experiência é uma grande mestra, mas nem por isso deixamos de ter de raciocinar acerca das nossas experiências. Para encontrarmos o nosso caminho na vida precisamos de ser críticos, de verificar os padrões e de os enquadrar num quadro geral de vivência.  


O facto de conhecermos a nossa filosofia pode ajudar-nos a evitar, a resolver ou a enfrentar muitos problemas. As nossas perspectivas filosóficas podem também reflectir os problemas que experimentamos, pelo que temos de avaliar as ideias de que dispomos para criarmos um ambiente que nos sirva, que não se volte contra nós. É possível modificar as nossas crenças para podermos resolver um problema e este livro mostra como isso se consegue.


Marinoff, Lou, Mais Platão, menos Prozac!, Ed. Presença, 2010, 7ª ed., p.19

3 de fevereiro de 2013

Cidade

Ilustração de Amy Casey

As ameaças quase visíveis surgem
Nascem
Do exausto horizonte mortas luas
E estrangulada sou por grandes polvos
Nas tristezas das ruas


Sophia de Mello Breyner Andresen, in Livro Sexto

2 de fevereiro de 2013

Algarve

1
Ilustração de Yoko Tanji

A luz mais que pura
Sobre a terra seca

2

Um homem sobe o monte desenhando  
A tarde transparente das aranhas

3

A luz mais que pura
Quebra a sua lança


Sophia de Mello Breyner Andresen, in Livro Sexto

1 de fevereiro de 2013

Instante

Ilustração de Christy Kinard



Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes



Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio


Sophia de Melo Breyner Andresen  



O poema "Instante" traduz a experiência do que é básico, essencial na poesia de Sophia. É uma poesia de contenção e de concentração, não narrativa e por isso exige muita atenção para captar a mensagem.

António Mega Ferreira 

Ciclo de Conferências "Que língua falam os poetas?"
Biblioteca Municipal de Oeiras,
25 de janeiro de 2013

31 de janeiro de 2013

30 de janeiro de 2013

Com fúria e raiva

Ilustração de Olivier Tossan
Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra


Sophia de Mello Breyner Andresen, in O Nome das Coisas

29 de janeiro de 2013

Inscrição



Ilustração de Jeffrey Larson
Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia

Ilustração de Mariana Kalacheva
A poesia de Sophia é das mais luminosas e ao mesmo tempo - e talvez por causa disso - das mais sóbrias da literatura portuguesa.


António Mega Ferreira 

Ciclo de Conferências "Que língua falam os poetas?"

Biblioteca Municipal de Oeiras,

25 de janeiro de 2013