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15 de fevereiro de 2013

Escuta


Ilustração de Daniela Giarratana




Não tens de escutar. Tens de te escutar.

José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena III

14 de fevereiro de 2013

Nada nosso


Ilustração de Leicia Gotlibowski

Nada nosso que estás no Nada
Seja Nada o teu nome
Venha a nós o Nada do Teu Reino
Seja claro o Nada da Tua Vontade
Assim na Terra como no Céu.
O Nada que nos alimenta nos dá hoje
Perdoa-nos sempre que não formos Nada
Como tentaremos perdoar a cada uma das Tuas criaturas
Não nos deixes incorrer em tentação
E livra-nos de não sermos o Teu Nada.

José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena IV

13 de fevereiro de 2013

A meta e o caminho



Ilustração de Stefano Arici
Quem não apaga a meta não vê nada do que está entre o início e o fim do caminho.

José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena III




Sou

Ilustração de Scott Kahn






Não digas: aprendo a caminhar na escuridão. Diz somente: sou.


 José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena III

12 de fevereiro de 2013

A meta


Ilustração de Katy Hare
Quem apenas quer a meta não viaja.


José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena III

11 de fevereiro de 2013

Regresso ao bosque



Ilustração de James C. Christensen


Um dia os homens deixarão os aviões, os transatlânticos, os comboios de alta velocidade, os automóveis para regressar aos caminhos do bosque.


José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena III

À entrada do bosque


Eu sou apenas um estranho à beira de um bosque.

José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena III

Ilustração de Stefano Arici

10 de fevereiro de 2013

Os sentidos dos trilhos

Ilustração de Scott Kahn

Cada trilho conduz a mais do que um sentido.


José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Cena I

E ele não sentia medo

Ilustração de Aki


JACOB [descrevendo como John Wolf vive a sua cegueira]


A paisagem apagava-se nos seus olhos, e ele não sentia medo. Sem ver, olhava. Era como se aceitasse a nova forma de solidão. Nada mais que o passo silencioso nos degraus que sobem em espiral. Nada mais que o rumor do seu fino bordão.


José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Assírio & Alvim, 2013, 1ª ed.,   Cena II, p.20

9 de fevereiro de 2013

O Estado do Bosque

Ilustrações de Aki

Na recente obra dramática de José Tolentino Mendonça, o bosque é metáfora de plenitude, de busca, de local de encontro com Deus. As personagens são guiadas por um cego, John Wolf, que tem do mundo uma perceção sensorial e bela, de confiança:


JOHN WOLF

(...) Finalmente vejo o rosto de Deus.


 José Tolentino Mendonça, in O Estado do Bosque, Assírio & Alvim, 2013, 1ª ed., Cena IV, p. 38