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18 de janeiro de 2013

Escrita e memória

Ilustração de André Letria


O recurso à escrita debilita o poder da memória. Aquilo que fica escrito e que, portanto, pode ser armazenado (...) já não precisa de ser confiado à memória. Cultura oral é aquela que constantemente reactualiza as memórias; um texto, ou uma cultura do livro, autoriza (...) todas as formas de esquecimento.

Georges Steiner, in O silêncio dos livros 

17 de janeiro de 2013

A promessa de um sentido



Ilustração de Aki

O texto escrito implica, entre o autor e o respectivo leitor, a promessa de um sentido.

Georges Steiner, in O silêncio dos livros

16 de janeiro de 2013

Silêncio ou luxo

O silêncio passou a ser um luxo.

A cena do criado ou do empregado doméstico, no alto do seu escadote, a espanejar amorosamente os derradeiros volumes da biblioteca cheira a nostalgia suspeita. O tempo acelerou espantosamente, como Hegel e Kierkegaard foram dos primeiros a fazer notar. Os vários momentos de tempo livre de que depende qualquer leitura séria, silenciosa e responsável tornaram-se apanágio quase exclusivo dos universitários e dos investigadores. Vamos matando o tempo em vez de nos sentirmos à vontade adentro dos seus limites.

Georges Steiner, in O silêncio dos livros
Ilustrações de Vladymyr Lukash

14 de janeiro de 2013

Se quisermos, podemos voar

Ilustração de Kristin Kwan
Em História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, de Luís Sepúlveda, Zorbas e os restantes gatos do porto, quando se rendem à sua impotência para ensinarem a gaivota a voar, escolhem um humano para os ajudar nessa tarefa. 

Após várias tentativas, decidem-se por um poeta, porque o poeta é alguém que voa com as palavras.

A mensagem da obra é sublime: se quisermos, podemos voar.

13 de janeiro de 2013

Esperança sobre o voo humano



O livro é de grande beleza. As ilustrações a preto e branco são dos mesmos autores do texto, que traduz uma mensagem de esperança sobre o voo humano.


"Um dia, as aves pousaram o seu olhar para lá dos ramos e das folhas, e imaginaram uma vida diferente. Começou assim uma nova era."



 "Felizmente, em algum lugar, há ainda quem deseje estender as asas e aprender a voar."





Aves, dos autores e ilustradores mexicanos María Julia Díaz Garrido e David Daniel Álvarez Hernández, editado pela Kalandraka, foi o livro vencedor do V Prémio Internacional Compostela para álbuns ilustrados.

Ilustrações de María Julia Díaz Garrido e David Daniel Álvarez Hernández

12 de janeiro de 2013

O tempo do inútil



O tempo de ler associa-se ao tempo de lazer mas também ao não tempo, que é o tempo de Deus. O tempo do inútil, do “desútil”, como refere o poeta brasileiro Manoel de Barros, ou seja, de um tempo mais para ser do que para fazer, um tempo por vezes difícil de encontrar e de nos concedermos mas que, quando no-lo concedemos, nos amplia o olhar e o coração, cava o silêncio que germina em nós e nos purifica. Ler é, pois, também ler-nos, ler a nossa própria história, quer por identificação quer por contraste com personagens, vivências, locais, cores, culturas, aromas, civilizações, hábitos e costumes. O tempo e o espaço transportam-nos para outros lugares e para lugar nenhum, para a utopia, o sonho, a irrealidade, um espaço de liberdade e de imaginação, espaço de narrativas que nos oferecem um tempo gratuito, de fruição ou de aprendizagem. De encontro ou de ilusão. De simpatia ou de transporte para outras realidades diferentes das do quotidiano.

Ilustrações de Glenda Sburelin

Os livros são ponte para a “teologia da inutilidade”, de que nos fala Tolentino Mendonça, para o lugar da estética, da poesia, da reflexão, do sem porquê, como a rosa ou o brinquedo.,

Maria Carla Crespo

11 de janeiro de 2013

Ouvido

Ilustração de Fuco Ueda









Um livro é o ouvido que encostamos à terra para escutar o mundo.

 ...Esperamos…que não escutemos apenas o mundo através dos livros, mas que nos escutemos a nós mesmos em todos os quartos que possuímos e cujas portas nunca soubemos abrir.


Robert Louis Stevenson, in O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde (contra-capa)

10 de janeiro de 2013

O elogio da inutilidade



Ilustração de Glenda Sburelin
Enquanto nós dermos à vida espiritual uma utilidade, qualquer que ela seja, ela ficará sempre condicionada às nossas próprias aspirações, àquilo que nós próprios transportamos. Na entrega, silenciosa e sem porquês, que uma criança oferece a um brinquedo, nesse estar por estar, permite-se que a polifonia da vida se liberte. Só entenderá o elogio do inútil quem perceber o significado, simples e imenso, de um brinquedo.

Tolentino Mendonça, in “O elogio da inutilidade, Encontros do Lumiar 2007-2008”, pp. 24-25

9 de janeiro de 2013

O silêncio dos livros



Ilustração de María Mola
Um dos requisitos fundamentais [da leitura] é, também, o silêncio. À medida que a civilização urbana e industrial foi prevalecendo, o nível de ruído conheceu um aumento exponencial, estando hoje muito próximo da loucura. Para os privilegiados da idade clássica da leitura, o silêncio era ainda um bem acessível, cujo preço, entretanto, nunca mais parou de subir. O silêncio passou a ser um luxo.

Georges Steiner, in O silêncio dos livros

8 de janeiro de 2013

Livros não mudam o mundo

Ilustração de Lindsey Olivares



Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. 

Os livros só mudam as pessoas.

Mario Quintana