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| Ilustração de Kestutis Kasparavicius |
Um blogue que se alimenta de e com ilustrações e palavras, sobretudo textos literários.
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12 de agosto de 2015
10 de agosto de 2015
Os meus livros não são livros
7 de agosto de 2015
creio que o amor tem asas de ouro
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| Ilustrações de Marie Cardouat |
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creio nos
anjos que andam pelo mundo,
creio na
deusa com olhos de diamantes,
creio em
amores lunares com piano ao fundo,
creio nas
lendas, nas fadas, nos atlantes;
creio num
engenho que falta mais fecundo
de
harmonizar as partes dissonantes,
creio que
tudo é eterno num segundo,
creio num
céu futuro que houve dantes,
creio nos
deuses de um astral mais puro,
na flor
humilde que se encosta ao muro,
creio na
carne que enfeitiça o além,
creio no
incrível, nas coisas assombrosas,
na
ocupação do mundo pelas rosas,
creio que
o amor tem asas de ouro. amém.
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Natália Correia
4 de agosto de 2015
Os amigos
Voltar ali onde
A verde
rebentação da vaga
A espuma
o nevoeiro o horizonte a praia
Guardam
intacta a impetuosa
Juventude
antiga -
Mas como
sem os amigos
Sem a
partilha o abraço a comunhão
Respirar
o cheiro a alga da maresia
E colher
a estrela do mar em minha mão
Sophia de Mello
Breyner Andresen, in Musa
31 de julho de 2015
Não sou nada
30 de julho de 2015
Come chocolates, pequena, come chocolates
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| Ilustração de Linda Olafsdottir |
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Álvaro de Campos, in "Tabacaria"
29 de julho de 2015
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
28 de julho de 2015
Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia
26 de julho de 2015
Compreender com os olhos
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| Ilustração de Claire Mojher |
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.
Alberto Caeiro, "Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia" in Eu só penso no sol
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