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12 de janeiro de 2013

O tempo do inútil



O tempo de ler associa-se ao tempo de lazer mas também ao não tempo, que é o tempo de Deus. O tempo do inútil, do “desútil”, como refere o poeta brasileiro Manoel de Barros, ou seja, de um tempo mais para ser do que para fazer, um tempo por vezes difícil de encontrar e de nos concedermos mas que, quando no-lo concedemos, nos amplia o olhar e o coração, cava o silêncio que germina em nós e nos purifica. Ler é, pois, também ler-nos, ler a nossa própria história, quer por identificação quer por contraste com personagens, vivências, locais, cores, culturas, aromas, civilizações, hábitos e costumes. O tempo e o espaço transportam-nos para outros lugares e para lugar nenhum, para a utopia, o sonho, a irrealidade, um espaço de liberdade e de imaginação, espaço de narrativas que nos oferecem um tempo gratuito, de fruição ou de aprendizagem. De encontro ou de ilusão. De simpatia ou de transporte para outras realidades diferentes das do quotidiano.

Ilustrações de Glenda Sburelin

Os livros são ponte para a “teologia da inutilidade”, de que nos fala Tolentino Mendonça, para o lugar da estética, da poesia, da reflexão, do sem porquê, como a rosa ou o brinquedo.,

Maria Carla Crespo

11 de janeiro de 2013

Ouvido

Ilustração de Fuco Ueda









Um livro é o ouvido que encostamos à terra para escutar o mundo.

 ...Esperamos…que não escutemos apenas o mundo através dos livros, mas que nos escutemos a nós mesmos em todos os quartos que possuímos e cujas portas nunca soubemos abrir.


Robert Louis Stevenson, in O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde (contra-capa)

10 de janeiro de 2013

O elogio da inutilidade



Ilustração de Glenda Sburelin
Enquanto nós dermos à vida espiritual uma utilidade, qualquer que ela seja, ela ficará sempre condicionada às nossas próprias aspirações, àquilo que nós próprios transportamos. Na entrega, silenciosa e sem porquês, que uma criança oferece a um brinquedo, nesse estar por estar, permite-se que a polifonia da vida se liberte. Só entenderá o elogio do inútil quem perceber o significado, simples e imenso, de um brinquedo.

Tolentino Mendonça, in “O elogio da inutilidade, Encontros do Lumiar 2007-2008”, pp. 24-25

9 de janeiro de 2013

O silêncio dos livros



Ilustração de María Mola
Um dos requisitos fundamentais [da leitura] é, também, o silêncio. À medida que a civilização urbana e industrial foi prevalecendo, o nível de ruído conheceu um aumento exponencial, estando hoje muito próximo da loucura. Para os privilegiados da idade clássica da leitura, o silêncio era ainda um bem acessível, cujo preço, entretanto, nunca mais parou de subir. O silêncio passou a ser um luxo.

Georges Steiner, in O silêncio dos livros

8 de janeiro de 2013

Livros não mudam o mundo

Ilustração de Lindsey Olivares



Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. 

Os livros só mudam as pessoas.

Mario Quintana

7 de janeiro de 2013

Maiores que nós

Ilustração de Solenn Larnicol































































































Existem pequenos livros que são maiores que nós.
                  
 Inês Lourenço, jornalista

6 de janeiro de 2013

O presente dos Reis Magos

Ilustração de Niamh Sharkey
Ilustração de Paula Marco

Como todos sabem, os Reis Magos são os homens sábios – terrivelmente sábios – que levaram as dádivas ao Bebé na manjedoura. Foram eles que inventaram a arte de oferecer presentes de Natal. Sendo sábios, as suas dádivas eram sem dúvida sábias, possivelmente com o privilégio de poderem vir a ser trocadas em caso de repetição. E eu acabei aqui de vos relatar, de forma pouco convincente, a crónica monótona de um apartamento onde duas crianças tolas, numa atitude nada sábia, sacrificaram um pelo outro os maiores tesouros da sua casa. Porém, numa última palavra aos sábios dos tempos que correm, diga-se que entre todos os que dão prendas foram estes dois os mais sábios. De todos os que dão e recebem prendas, as pessoas como eles são as mais sábias. Em toda a parte as mais sábias. São eles os Reis Magos.


O. Henry, "O Presente dos Reis Magos", in As mais belas histórias de Natal", ed. 101 noites