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14 de setembro de 2014

Os Maias, um livro filmado



Ilustração de Claude Theberge
Não é o livro que deu um excelente filme, é um filme que glorifica a excelência do livro.


O filme cria mesmo um artefacto, teatral ou operático, para destacar a palavra. Os painéis de João de Queirós da cidade de Lisboa, mas também de Santa Olávia e de Sintra, são um fabuloso detalhe artístico, que confere a todo o filme um ambiente onírico. Além disso, coloca-nos perante um palco, o que permite uma certa teatralidade e nos transporta mais facilmente para a época. Marcando também o plano literário com a narração possante de Jorge Vaz de Carvalho, Os Maias, de João Botelho, é cinema, teatro, ópera, política e literatura. Está lá tudo.

Manuel Halpern, in JL nº 1146, de 3 a 16 de setembro de 2014, p. 9




25 de novembro de 2012

Cultura light

Ilustrações de Susan Herbert

...não é estranho que a literatura mais representativa da nossa época seja a literatura light, leve, ligeira, fácil, uma literatura que sem o menor rubor se propõe antes de mais e sobretudo (e quase exclusivamente) divertir.


 
A literatura light,como o cinema light e a arte light, dá a impressão cómoda ao leitor e ao espectador de ser culto, revolucionário, moderno, e de estar na vanguarda com um mínimo de esforço intelectual. Deste modo, essa cultura que se pretende avançada e de rutura, na verdade propaga o conformismo através das suas piores manifestações: a complacência e a autossatisfação.


Mario Vargas Llosa, in A Civilização do Espetáculo,Quetzal, pp. 34,35