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7 de novembro de 2012

Os livros querem ser gozados e amados

Ilustração de Lina Dudaite

Para determinar o valor que um livro pode ter para mim, o facto de o mesmo ser famoso ou de estar na moda não tem praticamente nenhum relevo. Os livros não existem para que todos os leiam e encontrem neles um tema de conversas mundanas durante um certo tempo e depois os esqueçam, como se faz com a última notícia desportiva ou de crónica policial: os livros querem ser gozados e amados com calma e serenidade. Só então nos revelarão as suas íntimas belezas e virtudes.


Hermann Hesse, in Uma biblioteca da literatura universal

6 de novembro de 2012

Da relação com os livros

Ilustração de Ester Garcia Cortes
Um elenco de livros cuja leitura seja absolutamente necessária e sem os quais não haja saúde nem cultura, não existe. Em vez disso, há para cada homem um notável número de livros nos quais precisamente ele, o indivíduo, pode encontrar satisfação e prazer. Descobrir gradualmente estes livros, entabular uma relação duradoura com os mesmos, possivelmente apropriarmo-nos deles a pouco e pouco, até os tornarmos uma posse extrínseca e intrínseca estável, constitui uma tarefa específica e pessoal de cada indivíduo, que ele não pode descurar sem restringir substancialmente o âmbito da sua própria cultura e das suas próprias alegras e, com isso, o valor da sua própria existência.


                                                                                         Hermann Hesse, in Uma biblioteca da literatura universal




29 de outubro de 2012

Ler e escrever não é privilégio de alguns

Os livros deixaram de valer como segredos, são abertos a todos: assim parece. 

Ilustração de Fernando Casado Mora

Não nos deixaremos privar da reconfortante certeza de ter havido um efectivo progresso e não podemos senão comprazer-nos com o facto de ler e escrever já não serem o privilégio de uma casta ou corporação e, pelo contrário, desde a invenção dos caracteres de imprensa, de o livro se ter tornado um objecto de uso e de luxo difuso em larguíssima escala, d[e] as grandes tiragens lhe consentirem ser vendido a baixo preço e de todos os povos poderem, deste modo, tornar acessíveis os seus melhores livros (os chamados "clássicos") mesmo para as pessoas com menos posses. Nem nos afligiremos excessivamente por causa da ideia de o livro estar agora quase inteiramente despido do seu antigo carácter sublime...

Herman Hesse, in Uma biblioteca da literatura universal

2 de junho de 2012

Com prazer...

Ilustração de Robert Dunn


A leitura sem amor, o saber sem reverência e a cultura sem coração estão entre os piores pecados que se podem cometer contra o espírito.



Hermann  Hesse (2010:17), in Uma biblioteca da Literatura Universal, Cavalo de Ferro