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6 de maio de 2015

Vasco Santana e O Fado do Estudante

Ilustração de Ana Moreira
A figura de Vasco Santana, apresentada na primeira pessoa como, de resto, todas as biografias da coleção Chamo-me... da Didáctica Editora, torna esta obra juvenil muito divertida, pois estabelece-se uma verdadeira empatia com o protagonista (narrador autodiegético), apesar de não existir exigência literária...

Porém, é fundamental para os mais jovens conhecerem o ídolo português de A Canção de Lisboa, O Pai Tirano, O Pátio das Cantigas, da comédia e do teatro portugueses em geral e inclui O Fado do Estudante, aqui reproduzido em várias interpretações musicais.






  

18 de novembro de 2011

Com um lápis na mão

Foi com um lápis na mão que li recentemente As Pequenas Memórias, de José Saramago. Esse pequeno hábito permitiu-me registar o prazer da leitura, que o mesmo é dizer o prazer do encontro com a escrita apurada, com o detalhe, com a análise intuitiva e instintiva que me habituei a fazer. Também as anotações de caráter pessoal têm o seu lugar a lápis, nas margens do livro. 

Écriture, de Cécile Bercé Busson

Aqui fica o registo de um desses momentos, neste caso  de identificação com o narrador autodiegético (protagonista da ação) na sua aversão à raça canina.

A diferença está em eu não identificar a causa com nenhum destrato do animal nem nunca ter tido a experiência (oxalá sempre seja poupada a tal) de saber que algum cão se lembrará de me “saltar ao gasnete”.

O que, sim, acontece é a minha adrenalina, na presença ou na mera proximidade de tal ser da natureza, ser apercebida pelo suposto atacante, que deve ficar com medo de que eu o morda e normalmente se afasta…Nesse caso, o cão deve supor, como o narrador, que eu seria capaz de tal e, cruzando-se com os demais da raça, deve ripostar a sua contenção dizendo-lhes: “Sabia, não me perguntem como, mas sabia” (p. 25) que ela me iria atacar…
Ilustração de Agnès Boulloche