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18 de maio de 2014

Elegia segunda

Ilustração de Mary Blair

Todos os pássaros, todos os pássaros

Asas abriam, erguiam cantos,

De Amor cantavam.

Todos os homens, todos os homens,

De almas abertas, de olhos erguidos,

De Amor cantavam.

De Amor cantavam todos os rios,

Todas as serras, todas as flores,

Todos os bichos, todas as árvores,

Todos os pássaros, todos os pássaros,

Todos os homens, todos os homens.

De Amor cantavam...
                                          Sebastião da Gama, in Campo Aberto

24 de março de 2014

Quando eu nasci



 
Ilustração de Nancy-Ribard
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.                   

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama in Serra-Mãe, 1945

17 de agosto de 2012

Pelo sonho é que vamos


Ilustração de Danguole Jokubaitiene

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos,
basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

─ Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama