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4 de janeiro de 2013

Noite de Reis

Ilustração de Valentí Gubianas

Era a noite de uma primeira sexta-feira de Janeiro, a noite dos Reis.

Edmond de Goncourt, "Rezo a Gaspar, Melchior e Baltazar" in 101 Noites de Natal

1 de janeiro de 2013

Dia de Ano Novo

Ilustração de Trisha Romance
Está a nevar. Para que o Ano novo tenha sucesso é preciso que neve. 

Poil de Carote salta da cama, vai lavar-se, sem sabão, na tina do jardim. Está gelada. Tem de quebrar o gelo, e este primeiro exercício alastra por todo o seu corpo um calor mais são que o dos aquecedores. Mas finge molhar a cara e, como acham que está sempre sujo, mesmo depois de se lavar dos pés à cabeça, só limpa por alto.

Jules Renard, "Dia de Ano Novo", in 101 Noites de Natal

25 de dezembro de 2012

Tudo brilha


Ilustração de Christine Thouzeau

Tudo brilha, luminoso, esplêndido, deslumbrante; e a pequena caixa de música escondida entre as ricas oferendas que oferecem as travessas de laca (numerosas, sobre a mesa) salpica com a sua chuva musical a atmosfera de alegria e de luz.


Ilustração de Catherine Zarip





Eu desapareço. Entrem crianças.


Tesouras, depressa, se quiserem façam tilintar os guizos pendurados nos ramos: e que a decoração se renove noite após noite, até ao Dia de Ano Novo, até ao Dia de Reis.


Mallarmé, in 101 Noites de Natal, uma antologia literária

24 de dezembro de 2012

O Pai Natal

Autor desconhecido
Ilustração de Arnaud Peron

A minha mãe cantava-me também uma canção desse género na véspera de Natal; mas como isso só acontecia uma vez por ano, não me recordo dela. O que não me esqueci foi a crença absoluta que eu tinha na descida pela chaminé do pequeno Pai Natal, bom velhinho de barba branca, que, à meia-noite, vinha pôr no meu sapatinho uma prenda que eu aí encontraria ao acordar. Meia-noite! Essa hora fantástica que as crianças conhecem, e que lhes é revelada como o termo impossível da sua vigília! Como me esforçava por não adormecer antes da chegada do velhinho! Tinha muita vontade mas também muito medo de o ver: contudo, nunca podia ficar acordada até àquela hora e, no dia seguinte, o meu primeiro olhar ia para o meu sapatinho, junto à lareira. Que emoção me causava o envelope de papel branco, pois o Pai Natal era muito delicado e embrulhava sempre a sua oferenda muito cuidadosamente. Corria descalça para apoderar-me do meu tesouro. Nunca era um dom magnífico, pois não éramos ricos. Era um bolinho, uma laranja, ou muito simplesmente uma maçã vermelha. Mas parecia-me tão precioso que mal ousava comê-lo.

George Sand, in 101 Noites de Natal, uma antologia literária