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7 de novembro de 2013

Como uma princesa...

Parece que estamos num conto dos irmãos Grimm, disse Rebecca.
O pai afastou os olhos do caminho e sorriu-lhe.
Se fosse um conto dos irmãos Grimm...
Sim.
Tu estavas na casa, no final da alameda.
Como uma princesa.
Tu és uma princesa.

Ilustração de ariana Kalacheva
Desde muito cedo que ele lhe chamava a sua princesinha. Já não era novo quando ela nascera, e a morte da mulher algum tempo depois deixara-os sozinhos. A velha casa era o seu castelo, um castelo um pouco arruinado, com cortinados de veludo a que o tempo suavizara as cores, móveis e quadros que por vezes desapareciam misteriosamente, um longo jardim onde um único jardineiro se esforçava por manter algumas plantas, as azáleas debaixo das janelas, os rododendros nas alamedas, os nenúfares nos tanques, as campânulas brancas e os narcisos no relvado.

Ana Teresa Pereira, in O verão selvagem dos teus olhos, Relógio d'Água, 2008, 1ª ed., pp. 17-18

5 de novembro de 2013

Um silêncio cheio de pássaros

Pairava naquele lugar um silêncio cheio de pássaros.

Ana Teresa Pereira, in O verão selvagem dos teus olhos, Relógio d'Água, 2008, 1ª ed., p. 17


Ilustração de Debi Hubbs