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14 de junho de 2013

Livro, forma feliz de mistério

Ilustração de Gabhor Utomo

O livro (...) é depositário, tão-só pela sua estrita materialidade, de alguma forma feliz de mistério que se furta a qualquer modo de produção de sentido. Talvez, quem sabe?, porque só o livro fala connosco a sós.

                  Manuel António Pina (2013), in Crónica, Saudade da Literatura, Assírio & Alvim, 1ª ed., p. 203


11 de junho de 2013

O que damos aos livros?


Os livros constituem, de facto, um dos últimos refúgios do indivíduo e do pensamento...

Ilustração de Mónica Ramos

"O leitor sabe - diz Walt Whitman - que, quando é de noite, estamos ambos a sós." Só nos livros são possíveis ainda a noite e a solidão, em tempos de holofotes por todos os lados. E quanto os homens precisam de solidão, de se escutar a si mesmos na numerosa voz dos livros! E, em tempos como estes, barulhentos e estridentes, de silêncio! Os livros podem, no entanto, oferecer-nos aquilo que pudermos nós dar-lhes, sentido ou emoção. E talvez nem todos de nós tenham alguma coisa para dar aos livros. 

Manuel António Pina (2013), in Crónica, Saudade da Literatura, Assírio & Alvim, 1ª ed., p. 202