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4 de maio de 2014

Saberás que não te amo e que te amo

Ilustração de Claudia Tremblay


Saberás que não te amo e que te amo
porquanto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem sua metade fria.

Eu te amo para começar a te amar,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de te amar nunca:
por isso mesmo é que ainda não te amo.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos a chave da ventura
e um incerto destino desditado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te. 

Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.


Pablo Neruda, Cien sonetos de amor, in Presentes de um poeta, Arte Plural ed., 2003, pp. 26-27

3 de maio de 2014

A terra

Ilustração de Sonia MariaLuce Possentini

Quando estamos longe da pátria
nunca a recordamos em seus invernos.


Pablo Neruda, Confesso que he vivido, in Presentes de um poeta, Arte Plural ed., 2003, pp. 26-27

2 de maio de 2014

A poesia é indestrutível

Ilustração de Sonia MariaLuce Possentini


Minha fé em todas as colheitas do futuro


se afirma no presente. E declaro, por muito


que se saiba, que a poesia é indestrutível.



Pablo Neruda, Discurso en Chile, in Presentes de um poeta, Arte Plural ed., 2003, p. 73