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12 de abril de 2014

A visita do príncipe

Nunca sei o que me trazem as palavras, elas gostam tanto de me surpreender. 

Ilustração de Eszter Schall 
Hoje ao levantar da névoa trouxeram-me a casa sobre o rio, o terraço escassamente iluminado por um lampião que balançava ao vento, o pequeno sapo que todas as noites, rente ao muro, se ia aproximando , depositário de tudo o que nesse tempo em mim se confundia com a ternura. Pequeno príncipe da vadiagem, por ali se quedava sem outro fito que não fosse o de receber alguma carícia, so depois regressando por entre a humidade das pedras aos pântanos da sombra, a noite inteira nos olhos desmedidos. 

Eugénio de Andrade, in Com o sol em cada sílaba, Asa, 2002, 3ª ed., p. 17

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