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13 de junho de 2013

Sinceridade e fingimento

Ilustração de Danilo Martinis
A poesia de Fernando Pessoa é essencialmente irónica, no velho sentido socrático da palavra "ironia", a arte de pôr tudo em questão. Nele se descose e se problematiza muito do que fora tido até certa altura como fundamental em poesia. A principiar pela própria sinceridade poética. A sinceridade era antes de Pessoa o argumento irrespondível de um lirismo já falhado sem se dar por isso. O que Pessoa desvenda, e a meu ver não tanto por análise abstracta como pela comunicação poética da sua psicologia dilacerada, é isto: fingir e ser sincero são os dois pólos necessários da arte.

Óscar Lopes, in Fernando Pessoa, Ler e Depois 

                                                                         

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