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28 de abril de 2015

Consultório de frases

Ilustração de Dainius Šukys
Julia não tinha respostas para a maioria das questões que as frases lhe colocavam, mas elas continuavam a acudir ao seu "consultório" e atendia-as a todas, tentando não decepcioná-las nem decepcionar-se, pois ocupava-se do estudo da gramática com uma seriedade com que nunca antes havia abordado projecto algum. Afortunadamente, muitas apresentavam problemas simples de resolver. A O meu cão está zarolha, por exemplo, doíam-lhe as articulações porque, como Julia advertiu logo em seguida, cão zarolha não concordavam. Explicou à frase que essa falta de concordância acabava por ser como introduzir a peça de um quebra-cabeças num buraco que não lhe correspondesse.

Juan José Millás, in A mulher louca, Planeta, 2014, 1ª ed., p. 21

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