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15 de setembro de 2013

Zuzete na retrete

Autor desconhecido



Mas ao almoço que se dizia jantar é que era. Zuzete mostrava ter pressa e sentava-se na retrete como se andasse com o horário das funções invertido, e só de lá saía quando já se faziam rodas e se produzia canto. O que fará lá dentro a Zuzete? 






Autor desconhecido

Até que um dia alguém se pôs às cavalitas de alguém e descobriu que Zuzete tasquinhava* o seu pão sentada na tábua daquele pivete. O alarido da descoberta foi tão grande que Zuzete saiu de lá trocando as pernas, sem saber para onde olhar, e para que a cena fosse completa, atirou-se às paredes do pátio com os punhos fechados. Retirem-se que a gaja até espuma da boca! Mas agora Zuzete ia e vnha, via-se que punha uma mesa festiva arrancando panos dobrados do fundo das gavetas. Só me ensombra, neste momento, a lembrança das minhas tias. Sandro deve estar a chegar. Ora conta lá como conheceste o Sandro.


Lídia Jorge, "Testemunha", in Marido e outros contos, D. Quixote, 2008, 5ª ed., p. 111


* comia com pouco apetite

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