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27 de junho de 2012

A viagem

Ilustração de Anuska Allepuz

Ilustração de Janes Browne
No conto "A viagem", de Sophia, um homem e uma mulher perdem-se. 
Percorrem uma estrada e a estrada desaparece. Encontram um cavador, que lhes indica uma fonte e, ao voltarem para trás para recolherem informações sobre a estrada, também o cavador tinha desaparecido. 
 
Caminham, caminham e tudo vai desaparecendo à sua volta, até mesmo as saborosas amoras que haviam colhido e guardado no lenço da mulher.
 
A verdade é que, homem e mulher, caminham juntos, de mãos dadas; ele protege-a, tranquiliza-a, quando confessa as suas fraquezas: a fome e o medo, muito medo.

     
Até que... o homem cai no abismo. E a mulher procura-o. "Mas não havia passagem. (...) Compreendia que agora era ela que ia cair no abismo. "

Ilustração de Daniela Giatarrana
Ilustração de Shira Sela



"Então virou a cara para o outro lado do abismo. Tentou ver através da escuridão. Mas só se via escuridão. Ela, porém, pensou:

- Do outro lado do abismo está com certeza alguém.

E começou a chamar."


    

 Esta viagem é um percurso pessoal, primeiro a dois e depois de cada um, individualmente. 


Um percurso de incerteza, na curva do inesperado. 

Ilustração de Angela Morgan

Uma viagem que, como a fé, se joga na adversativa. E é nas adversativas que normalmente está a chave, o segredo, a novidade. A mulher só via escuridão, "porém" (adversativa) confiou que do outro lado do abismo estaria decerto alguém. E por isso se lançou e começou a chamar, cheia de esperança.

Mas (adversativa) para chegarmos à esperança, por vezes também precisamos de hermeneutas, de alguém que interprete os textos e nos ajude a entranhá-los.
 
Portefólio de Leituras recolheu e acolheu a interpretação luminosa do conto "A viagem", de Sophia de Mello Breyner Andresen, por Tolentino Mendonça.





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