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17 de fevereiro de 2015

Doutor, eu?


Ilustração de Sergey Ivchenko

- Você é mesmo tanso. Estava a gozar consigo. Na minha arte até posso ser considerado um catedrático da investigação criminal. Mas não sou doutor nenhum. Corte lá essa palermice do doutor e diga ao que vem.


Miguel Miranda, in Dai-lhes, Senhor, o eterno repousoPorto Editora, 2011, 1ª ed., p. 20

Doutores

Ilustração de Annie Stegg
Há uma espécie característica de gente que faz questão em se fazer anunciar por "doutor" isto ou aquilo. Destes autoproclamados "doutores", alguns ainda não acabaram curso nenhum, outros tiraram uma licenciatura crepuscular em algum instituto de vão de escada, apenas para obrigarem os outros a tratarem-nos por doutores. O homem que estava perante mim fazia parte dos seguidores dessa seita do culto da aparência. Só para verificar a sua lealdade à seita, perguntei:

- Então você é o Brandão?

O homem, outrora céreo, ganhou cor no rosto, de raiva incontida, e proferiu, martelando as sílabas:

- Doutor. Doutor Brandão. 

Ilustração de Dilka Bear

(...)
- Doutor será, quando acabar o curso. Sente-se.


Ele obedeceu, siderado. Derrubou os ombros, como se lhe tivesse caído um prédio em cima. 








Miguel Miranda, in Dai-lhes, Senhor, o eterno repousoPorto Editora, 2011, 1ª ed., p. 19




24 de outubro de 2014

Corvos

Ilustração de Debi Hubbs




Eu gosto de corvos. São pássaros anunciadores, transmitem-me premonições. Já não aprecio homens-corvo, não sei bem porquê. São arautos de desgraça.



Miguel Miranda, in Dai-lhes, Senhor, o eterno repouso, Porto Editora, 2011, 1ª ed., p. 30

23 de outubro de 2014

Cabeça em ovo de avestruz

Ilustração de Victoria Kirdy


O senhor Ruela, o vendedor e putativo dono do estabelecimento, era um homem com cabeça em ovo de avestruz, que falava sem mover os lábios, como um ventríloquo.




Miguel Miranda, in Dai-lhes, Senhor, o eterno repouso, Porto Editora, 2011, 1ª ed., p. 12-13

22 de outubro de 2014

Bilhete de identidade


Ilustração de Patrick Gonzales 

Os dedos da mão fornecem mais informações do que o bilhete de identidade, podendo revelar a idade, a profissão, a saúde ou doença do portador.

Miguel Miranda, in Dai-lhes, Senhor, o eterno repouso, Porto Editora, 2011, 1ª ed., p. 31

2 de outubro de 2014

Livro e personalidade

Ilustração de Cosei Kawa 


Uma mão é um livro aberto sobre a personalidade do portador. 


Miguel Miranda, in Dai-lhes, Senhor, o eterno repouso, Porto Editora, 2011, 1ª ed., p.31

27 de junho de 2013

Escrever para viajar

Escrever para viajar, viagem sem pagar bilhete, é o lema do médico portuense Miguel Miranda,  que marcou presença no Bibliotecando em Tomar 2013, no princípio de maio.

Ilustração de Ethel Spowers

Partindo do real, ainda que com as luvas e as pinças a que a deontologia o obriga, ocorre-lhe basear-se numa paciente, matá-la na primeira página e prosseguir a narrativa. 

A viagem e a literatura são também humor, riso, subversão, morte, mistério, policiais – mostrou-o este autor de diversas obras insólitas como O estranho caso do cadáver sorridente (Prémio Caminho de Literatura Policial, 1997) - a partir da sua doente inglesa qual boneca de porcelana com lábios pintados -; Dai-lhes, Senhor, o eterno repouso – policial humorístico sobre o que acontece aos chineses quando morrem -; A paixão de K – sobre o quadrilátero amizade, amor, paixão e caos, que tem no centro as paixões de Perfecto Cuadrado, protagonista da ação; e Todas as cores do vento – reflexo de uma viagem à Palestina em que um gato é a única testemunha do choque civilizacional com Israel.

Mª Carla  Crespo