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22 de janeiro de 2015

Dança...

Ilustração de Yao Xiong -Y. Nana


Não era difícil acreditar em contos de fadas. Cathy estava habituada a um palco, desde os cinco anos que estudava Dança, e o palco agora era uma velha casa, um longo jardim, um lago de águas imóveis. Antes de ela aparecer no filme, via-se o seu reflexo na água. E quase no final dançava sozinha no pavilhão junto ao lago, ao som da melodia da caixa de música, Oh, Willow Waly.



Ana Teresa Pereira, "If I should wake before I die", in As velas da noite, Relógio d'Água, 2014, p. 43

16 de setembro de 2013

Mar...


Ilustração de Monica Armiño


Agora o mar lambia a areia mesmo em frente da esplanada.


Lídia Jorge, "Espuma da tarde", in Marido e outros contos, D. Quixote, 2008, 5ª ed., p.65

15 de setembro de 2013

Zuzete na retrete

Autor desconhecido



Mas ao almoço que se dizia jantar é que era. Zuzete mostrava ter pressa e sentava-se na retrete como se andasse com o horário das funções invertido, e só de lá saía quando já se faziam rodas e se produzia canto. O que fará lá dentro a Zuzete? 






Autor desconhecido

Até que um dia alguém se pôs às cavalitas de alguém e descobriu que Zuzete tasquinhava* o seu pão sentada na tábua daquele pivete. O alarido da descoberta foi tão grande que Zuzete saiu de lá trocando as pernas, sem saber para onde olhar, e para que a cena fosse completa, atirou-se às paredes do pátio com os punhos fechados. Retirem-se que a gaja até espuma da boca! Mas agora Zuzete ia e vnha, via-se que punha uma mesa festiva arrancando panos dobrados do fundo das gavetas. Só me ensombra, neste momento, a lembrança das minhas tias. Sandro deve estar a chegar. Ora conta lá como conheceste o Sandro.


Lídia Jorge, "Testemunha", in Marido e outros contos, D. Quixote, 2008, 5ª ed., p. 111


* comia com pouco apetite

28 de maio de 2013

Conta-me um conto



Vídeo produzido a partir da recriação de um conto popular por alunos do Curso Profissional de Turismo da Escola Secundária Fernão Mendes Pinto, em Almada (2012-2013). A produção textual que originou este vídeo resulta do trabalho colaborativo da disciplina de Português com a Biblioteca Escolar, na promoção da leitura e da escrita criativa.

21 de fevereiro de 2012

Do conto à realidade

"Argine", de Julia Simeón, consubstancia o pensamento de Bachelard de que se sonha antes de se compreender. É a passagem do conto, do sonho à realidade. Um filme de animação muito terno.





5 de janeiro de 2012

Eva sabia

Amor, de Miss Miza
"Eva sabia que estava a nascer nos olhos dele, mais concretamente nas íris cor de sépia, onde começava a ver a dupla pequena imagem da sua figura e da sua identidade. Eva disse-lhe: "Vamos chegar atrasados. Eu marquei com o construtor estarmos lá por volta do meio-dia. Temos de ir." Ele respondeu: "Mas ainda não acabei de engendrar-te."

"É doce estar espelhada nos olhos do amor. E, risonha como sempre, disse alto: É amor, isto? Vou ser tua? (...)"

"Estou a ver se imprimo a tua face na minha" [disse ele].


Ilustração de Özturk
                                 

"Eva sentia ali, de súbito, numa rua de Lisboa, o seu sangue e o dele, à superfície. Sabia que estava a ser criada no sangue dele, e que esse é um dos movimentos do amor, feito de movimento cada vez mais próximo. Ele gritou: "Está ali um táxi." E correram, como dois corpos que começam a querer ser um só."

"Se assim for", disse Eva, já sentada no táxi, "se somos dois corpos que vão ser um, é a Criação ao contrário." 



Excertos do conto "Eva sabia", de Fiama Hasse Pais Brandão,
in Contos da Imagem, Assírio & Alvim

Hoje descobri esta pérola de Fiama Hasse Pais Brandão. Os dias que a literatura tece são sempre mais profundos e luminosos.