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3 de outubro de 2015

Um hipnotizador no fio da navalha

Valter sorriu. Apreciar esquilos era uma atividade relaxante. Estava cansado da vida de hipnotizador. Demasiado poder sobre a vida dos outros era um tédio. Habituara-se a dominar as pessoas que o rodeavam através do hipnotismo, o que lhe dava ao início algum gozo, depois tornara-se uma compulsão. Aos poucos, transformara-se numa tortura, a que não conseguia fugir. 

Ilustração de Sara Tyson

Para comer, hipnotizava o empregado do restaurante. Para obter bens, desde roupa até ao mais sofisticado relógio, hipnotizava o funcionário da loja respectiva. Para estacionar num parque cheio, hipnotizava um condutor, que logo retirava  o carro, vagando um lugar. Vivia fascinado com o seu poder, mas ao mesmo tempo a vida parecia-lhe pouco interessante, baça, até dolorosa.


 Miguel Miranda, "Um hinotizador no fio da navalha" in A fome do licantropo e outras histórias
Porto Editora, 2014, 1ª ed., p.54

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