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11 de julho de 2015

Somos as pontas de uma mesma fita

Ilustração de Mariana Kalacheva

Somos as pontas de uma mesma fita
e acordamos atados de manhã num
nó que ainda demora a desfazer. Ao

 

levantar-me, arrasto-te comigo, mas
no resto da vida é ao contrário - e eu

nem me importo que me leves atrás
se o laço for contigo, e apertado. Mas,


quando calha, é mais comprida a fita; e
eu - inquieta, sem saber onde estás - fico
a contar os metros, aflita, e a magicar em
franzidos e embaraços. Eis senão quando


tu apareces amarrotado de cansaço e nos
meus braços logo te desfias. Vencido
o susto, passa-se a fita a ferro - para
se enredar de novo num nó cego que
de manhã vai ser um custo desatar.



 Maria do Rosário Pedreira, in Poesia Reunida, Quetzal poesia, 2012, 1ª ed., p. 242

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