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6 de junho de 2015

Conversa nocturna

Talvez a noite me encontre um dia. Sentar-me-ei com ela, a conversar. 

Ilustrações de Pinwheel Bunny 

Perguntar-me-á: "Quem és?" - "Um dos habitantes", responderei; mas sem ter a certeza disso. Entre a noite e o dia, quem pode escolher, ao certo, o seu lugar? E ela há-de insistir, adivinhando a minha dúvida. Então, aproximar-me-ei dela, pegarei nas suas mãos de treva, e puxá-la-ei para mim. "E tu, quem és?" E ela ficará em silêncio, pesada e nocturna, como se a morte fosse a sua segunda natureza. 



"Amo-te", digo-lhe. E a noite dissolver-se-á em mim, até nascer o dia.


                                                        Nuno Júdice, in O fruto da gramática, 2015, 2ª ed., p. 55

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