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25 de novembro de 2013

Poesia rejeitada

Ilustração de Alexandra Semushina

Peguei na minha obra toda, mais de quatro mil páginas A4, e enterrei tudo num terreno baldio perto de casa. Nessa altura vivia no Cairo. Depois de ter enterrado aquilo cresceram umas ervinhas, mesmo onde eu tinha escavado. Fiquei contente porque não tinha crescido nada à volta, só onde enterrei os poemas. Não sei se foi de ter revolvido a terra, ou se foi a Natureza a demonstrar a sua inclinação pela poesia, especialmente pela rejeitada.

Afonso Cruz, in A boneca de Kokoschka, Quetzal, 2010, p. 83

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