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1 de setembro de 2013

Medo de ser


Ontem, no entanto, perdi durante horas e horas a minha montagem humana. Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como é que se explica que o meu maior medo seja exactamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exactamente o de ir vivendo o que for sendo?
 
 
Ilustração de Rebecca Kinkead
   

Como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra - como se antes eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?

 
Clarice Lispector, in A paixão segundo G.H., Relógio d'Água, 2000, p.10
 
 

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