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26 de fevereiro de 2013

A concha

A minha casa é concha. Como os bichos.
Segreguei-a de mim com paciência:

Fachada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência. 

Minha casa sou eu e os meus caprichos. 
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso! 
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.

Ilustração de Hajin Bae

A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória. 

Vitorino Nemésio

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