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12 de janeiro de 2013

O tempo do inútil



O tempo de ler associa-se ao tempo de lazer mas também ao não tempo, que é o tempo de Deus. O tempo do inútil, do “desútil”, como refere o poeta brasileiro Manoel de Barros, ou seja, de um tempo mais para ser do que para fazer, um tempo por vezes difícil de encontrar e de nos concedermos mas que, quando no-lo concedemos, nos amplia o olhar e o coração, cava o silêncio que germina em nós e nos purifica. Ler é, pois, também ler-nos, ler a nossa própria história, quer por identificação quer por contraste com personagens, vivências, locais, cores, culturas, aromas, civilizações, hábitos e costumes. O tempo e o espaço transportam-nos para outros lugares e para lugar nenhum, para a utopia, o sonho, a irrealidade, um espaço de liberdade e de imaginação, espaço de narrativas que nos oferecem um tempo gratuito, de fruição ou de aprendizagem. De encontro ou de ilusão. De simpatia ou de transporte para outras realidades diferentes das do quotidiano.

Ilustrações de Glenda Sburelin

Os livros são ponte para a “teologia da inutilidade”, de que nos fala Tolentino Mendonça, para o lugar da estética, da poesia, da reflexão, do sem porquê, como a rosa ou o brinquedo.,

Maria Carla Crespo

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