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27 de novembro de 2012

Nadar por correspondência




Ilustração de Monique Passicot


... ler Literatura não obedece aos mesmos esquemas mentais (e culturais) da leitura de um qualquer outro tipo de texto ou obra. Muito menos se se tratar de um jornal ou revista. O verdadeiro acto de ler (literatura) é por excelência um acto pessoal, criativo, vivo. Não é um acto passivo, maquinal, repetitivo…É um mergulho no interior do texto que acaba por nos tocar e inundar a nossa sensibilidade e ideias. A partir daqui, deste mergulho nas palavras e no ritmo das ideias e das situações, temos o prazer de exercitar a nossa imaginação e sensibilidade – que podem ser manifestadas num comentário pessoal, por escrito, ou até numa simples recriação. Se me afasto do mundo (das pessoas e das coisas) quando leio, porque ler requer isolamento e silêncio, ganho depois um pouco mais de uma outra consciência acerca desse mundo, de mim e dos outros. É justamente por isto que ler é um acto insubstituível. Ninguém, em rigor, pode ler por nós. É como dar mergulhos num rio ou numa piscina: já alguma vez alguém aprendeu a nadar por correspondência? 

Martins, Francisco, in Ao encontro de Aparição – em torno de Vergílio Ferreira, Lisboa, Asa, 1999

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