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13 de outubro de 2012

A poética da amizade

Ilustração de Alba Marina Rivera

Uma história oriental conta de uma árvore solitária que se avistava no alto da montanha. Não tinha sido sempre assim. Em tempos passados, toda a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias, que os lenhadores, uma a uma, cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em tábuas... Sendo inútil aos propósitos deles, os lenhadores deixaram-na ali. Depois, vieram os caçadores de essências em busca de madeiras perfumadas, mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada e, mais uma vez, deixada ali. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje, está sozinha na montanha, avista-se ao longe naquele alto, e os viajantes suspiram por sentar-se à sua sombra.


Um amigo é como aquela árvore: vive da sua inutilidade. (...) 

Um amigo é como aquela árvore. Pode até ser útil, mas não é isso que o torna um amigo. 

Tolentino Mendonça, in Nenhum caminho será longo, Para uma teologia da amizade 

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