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21 de setembro de 2012

A Noite e o locus horrendus





Ilustrações de Libellune
A frenética e dorida expressão do desencanto, da traição e da morte (da mulher amada), oriunda da vivência do sentimento amoroso, conduz frequentemente Bocage a procurar refúgio na paisagem nocturna e mórbida. Os cenários lúgubres constituem o temporário abrigo para a frustração amorosa, expressando assim, com o auxílio de uma retórica exacerbada, a profunda sensação de melancolia. Nesta poética nocturna, merece particular destaque a presença do locus horrendus, tópico com que o poeta pretende enfatizar as colorações negras do seu desespero íntimo. Com efeito, uma das grandes características de Bocage é a sua predilecção pelos cenários nocturnos: o sujeito poético deleita-se na solidão e na imensidão dos mares tempestuosos, no escuro das florestas, no refúgio dos túmulos ou na soturnidade das trevas da noite.

 MARTINS, Cândido in Para uma leitura da poesia de Bocage, Lisboa, Ed. Presença, 1999, pp. 69-70 

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