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20 de junho de 2012

Junto ao fogo



Decidiu abandonar as mulheres e, por longo tempo, de facto, viveu só. Passeava, olhava as árvores e frequentava o café sem voltar o rosto para qualquer mulher bela.
Ilustração de Patricio Betteo

Mas um dia, uma jovem colocou-se a seu lado e disse-lhe que o amava. Durante muitos dias o homem recusou-a, até que a mulher deixou de vir ao café, desaparecendo sabe-se lá para onde.

Só agora, aquele tal, foi sacudido por tão grande amor que percorreu, a pé, toda a cidade, até que parou a conversar com uma daquelas mulheres que vive junto às fogueiras, na periferia. E nem reparou que era a mesma rapariga que o amava.


Tonino Guerra, in Histórias para uma noite de calmaria

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