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16 de abril de 2012

O cheiro da escrita

Ilustração de Alice Vilhena
E depois estava a escrever... estava a escrever de novo. As  personagens eram só personagens, a casa era só uma gravura, e não havia amor, e não havia sofrimento.

O livro estava a tomar a sua forma definitiva e ela descobria coisas novas nele, estranhas simetrias (assustadoras simetrias), por vezes uma anotação na margem dava um sentido inquietante às outras palavras... E ela encontrava-se naquele estado que não tinha nome, consciência alterada, talvez um estado de graça, e o livro era só a parte visível do que estava a acontecer. E por vezes levantava-se e olhava em volta, porque sentia, muito forte, dentro do quarto, o cheiro da pantera.
Ilustração de Helene Terlien

Ana Teresa Pereira, in A Pantera (2011:85)
 
 
E era um cheiro quente e doce. Um cheiro vivo. Ela criara uma coisa.

ibidem (p.88)

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