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23 de janeiro de 2012

O néctar da literatura

"Para se chegar a boas leituras é necessário ler de tudo até que a experiência leitora deixe a sua marca".

FERNÁNDEZ, Juan José Lage, in Animar a leer desde la biblioteca


Jeong Jong Hae
Esta é uma postura de leitura válida para quem começa a desbravar as letras ou para quem se obriga a gostar de determinado livro, autor ou estilo. Se a escola não instituísse um cânone literário, muitos perderiam na vida a oportunidade de se cruzarem com Cesário Verde, Pessoa, Vergílio Ferreira, Sophia ou Saramago, entre muitos outros nomes maiores da literatura portuguesa. O mesmo é verdade para os autores dos cancioneiros medievais, para as crónicas de Fernão Lopes..., para tantas e tantas páginas de literatura, sem esquecer o magistral Eça, que tiveram o intuito de nos deixar provar o que é literatura, mesmo que pontualmente a possamos abandonar.

Genevieve Despres (pormenor)
Tenho as minhas dúvidas sobre se é preciso ler de tudo, aí compreendendo o banal, o fútil, o óbvio. Não será a literatura um alimento do espírito? Entender-se-ia que numa degustação de vinho se provasse todo o tipo de vinho, sem o cuidado prévio de dar a saborear os melhores aromas e sabores do precioso néctar? Assim na literatura.

1 comentário:

  1. Para se apreciar um bom vinho, é preciso conhecer variedades de vinho, para se poder pronunciar. Num bairro de Paris luxuoso, um habitante, estadista ou visitante, terá oportunidade de contactar com os melhores manjares e néctares dos deuses. Nos antípodas, numa aldeia serrana portuguesa, um bom vinho será uma amarantina jerupiga em dia de festa. No caso dos livros, o cânon também vai à serra, mas choca com a literatura de consumo e que as editoras querem vender. A tarefa do professor torna-se assim uma tarefa hercúlea, porque contra-corrente: dar a provar a magia dos clássicos e pôr os meninos a saborear com todos os sentidos, incluindo pensar.
    Beijinhos da comadre

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