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26 de dezembro de 2011

Memória de infância


"O nome de um livro lido (conquistado?) já nada tem a ver com o que ele representava antes. O livro prepara-se para viver a sua própria vida na nossa memória."

BONNET, Bibliotecas cheias de fantasmas (2010:69)





Aqui fica a memória de uma história de infância, de Hans Christian Andersen, para os dias frios e mágicos de Natal.



Estava tanto frio! A neve não parava de cair e a noite aproximava-se. Aquela era a última noite de Dezembro, véspera do dia de Ano Novo. Perdida no meio do frio intenso e da escuridão, uma pobre rapariguinha seguia pela rua fora, com a cabeça descoberta e os pés descalços. É certo que ao sair de casa trazia um par de chinelos, mas não duraram muito tempo, porque eram uns chinelos que já tinham pertencido à mãe, e ficavam-lhe tão grandes, que a menina os perdeu quando teve de atravessar a rua a correr para fugir de um trem. Um dos chinelos desapareceu no meio da neve, e o outro foi apanhado por um garoto que o levou, pensando fazer dele um berço para a irmã mais nova brincar.
Por isso, a rapariguinha seguia com os pés descalços e já roxos de frio; levava no avental uma quantidade de fósforos, e estendia um maço deles a toda a gente que passava, apregoando: — Quem compra fósforos bons e baratos? — Mas o dia tinha-lhe corrido mal.

ANDERSEN, Hans Christian, A menina dos fósforos (adaptado)

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